Depois
de mais de 80 anos desaparecida, foi redescoberta uma obra de arte
com 400 anos da autoria do pintor
flamengo Peter Paul Rubens, que
terá sido escondida e protegida da repressão religiosa do governo
soviético de Estaline. A pintura foi restaurada e a sua
autenticidade verificada pelo Museu Hermitage, de São Petersburgo.
Ao
que tudo indica, a tela, de aproximadamente 5x3 metros, é a obra A
Ressurreição de Cristo,
obtida entre 1763 e 1774 pela imperatriz russa Catarina a Grande, que
a doou na década de 1790 à Catedral da Santíssima Trindade do
Mosteiro Alexander Nevsky. Aí, terá sido instalada num entalhe de
uma parede do rés-do-chão, onde ficou até 1934, data em que as
autoridades soviéticas fecharam a catedral como parte da perseguição
religiosa que levaram a cabo.
A
sobrevivência da pintura foi assegurada pela equipa do museu, que a
terá removido da parede onde estava e enrolado o papel, atirando-a
para uma das vastas salas de arrumações.
A
obra foi desenterrada pelo Hermitage em 2011, mas de acordo com um
comunicado de imprensa referido pelo The
Art Newspaper apenas
em 2012 foi possível desvendar a pintura e começar o processo de
restauro no Centro de Restauração e Armazenamento Staraya Derevnya,
localizado nos arredores de São Petersburgo.
A
obra tinha ficado empenada e escurecida devido ao passar do tempo e
foi precisa uma limpeza de várias camadas para descobrir a pintura
que “corresponde ao estilo
de Rubens, nos primeiros anos
após o seu regresso de Itália para Antuérpia”.
Natalia
Gritsay, directora do departamento de Mestres Antigos (pintores
que trabalharam na Europa antes de 1800) e especialista em pintura
flamenga, estudou a obra durante os cinco anos que se seguiram à sua
descoberta e concluiu que foi começada por Rubens em 1610 ou 1611 e
terá sido terminada por outro artista.
Apresenta
uma grande semelhança com o quadro A
Ressurreição,
que está na Catedral de
Antuérpia, o que leva a
especialista a acreditar que poderá ter sido originalmente
encomendada para o altar da Igreja Dominicana daquela cidade flamenga
pelo seu então prior Michael van Ophoven, amigo do pintor. O
sucessor de Ophoven alterou radicalmente a igreja, o que poderá
justificar o facto de a pintura ter ficado por acabar.


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