A
Amnistia Internacional afirmou esta terça-feira, a três dias do
início dos Jogos Olímpicos (de 05 a 21 de agosto), que tiroteios
diários e um “aumento alarmante” de homicídios por parte da
polícia colocam em risco o legado olímpico no Rio de Janeiro.
“O
Brasil perdeu os Jogos Olímpicos, mesmo antes de eles começarem”,
comentou Atila Roque, diretor da Amnistia Internacional no Brasil,
opinando que, quando se pensava que “os níveis de brutalidade
policial não podiam ficar mais chocantes, eles ficaram”.
O
ativista disse que “a ascensão aparentemente imparável de
homicídios pela polícia coloca em séria dúvida qualquer chance de
um legado olímpico positivo na área da segurança pública”.
Em
comunicado, a organização de defesa de direitos humanos destacou o
aumento de 103% das mortes provocadas por agentes de polícia no Rio
de Janeiro entre abril e junho de 2016 e 2015.
A
Amnistia deu conta de dados do Instituto de Segurança Pública do
Estado do Rio de Janeiro, segundo os quais a polícia da cidade matou
49 pessoas em junho, 40 em maio e 35 em abril.
Desde
2009, quando a candidatura do Rio de Janeiro para organizar o maior
evento desportivo do mundo ganhou, a polícia matou mais de 2.600
pessoas na cidade '‘carioca’'.
Só
em julho, uma aplicação informática lançada pela Amnistia
recebeu, por parte de cidadãos da cidade, 756 notificações de
tiroteios com 51 mortes, muitos deles em zonas situadas entre o
aeroporto internacional do Rio de Janeiro e as instalações
olímpicas.
A
organização entende que o Brasil está a repetir os erros cometidos
durante a organização do Campeonato do Mundo de Futebol em 2014,
também no Rio de Janeiro, porque faltam protocolos claros para
controlar o uso da força letal pela polícia e existem erros na
política de segurança pública.
Perante
este cenário, a organização defende que as autoridades brasileiras
devem parar de se preocuparem apenas com “quão bonito o Parque
Olímpico parece” e “tomar urgentemente medidas sérias para
evitar mais violações de direitos humanos e levar os responsáveis
por tanta dor à justiça”.
Para
a organização, é também necessário o país afastar-se de
operações policiais fortemente armadas, substituindo-as por
políticas que segurança pública que tratem de proteger toda a
população.
De
acordo com a Amnistia, megaeventos desportivos no Brasil têm também
ficado marcados por despejos forçados de milhares de moradores para
construir infraestruturas desportivas, nos últimos sete anos, 22.000
famílias foram desalojadas, segundo dados da autarquia local,
citados pela organização.
Quando
as pessoas são despejadas à força, sem o devido processo ou
compensação, segundo uma investigação da organização “Terre
des Hommes”, o impacto sobre as crianças é particularmente grave,
dado que muitas perdem direitos básicos, como acesso à escola,
assistência médica especializada, transporte adequado e seguro e
laços familiares.
A
Aliança de Desporto e Direitos, uma coligação de grupos de líderes
desportivos e de direitos humanos, reuniu-se com o Comité Olímpico
Internacional (COI) para apresentar um conjunto de recomendações
para parar com os abusos de direitos humanos e a corrupção ligados
a futuros eventos.



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