Mariano Rajoy e PP vencem eleições em Espanha

A Espanha, nas segundas eleições legislativas em seis meses, disputadas neste domingo, viu reforçada a posição, contra todas as expectativas, do Partido Popular (PP), de Mariano Rajoy, que somou mais 700 mil votos e cresceu dos 123 deputados de Dezembro para 137.
Eleitores cansados de políticos incapazes de se entenderem e a surpresa do “Brexit” britânico, colocaram toda a pressão nos líderes e ajudar o primeiro-ministro em funções a apresentar-se como única solução de poder.
Rajoy, que depois das eleições de Dezembro recusou sequer ser investido e tentar negociações, justificando-se com a falta de apoios no Congresso, diz que se os líderes não se puserem de acordo para governar vão cometer uma “irresponsabilidade” descrevendo-a como “de antologia”. “Não podemos continuar nesta situação”, defende.

A sua primeira escolha passa por estender a mão ao PSOE, segundo maior partido, enfraquecido pelo pior resultado da sua história. Rajoy, aliás, quer começar a trabalhar para um entendimento com o partido de Pedro Sánchez já a partir de quarta-feira, assim que regressar do Conselho Europeu onde será discutido o chumbo do Reino Unido à União Europeia, “Farei todos os possíveis por conseguir a grande coligação”, afirma, insistindo no mesmo que defendeu durante a campanha.
Numas eleições em que todos perderam votos menos o PP de Rajoy, vai ser difícil para os adversários continuarem a exigir o seu afastamento como condição para se sentarem à mesa com os conservadores.
Não vamos apoiar nenhum Governo com Mariano Rajoy”, repetiu já na segunda-feira Albert Rivera, líder do Cidadãos. Uma reacção que não espelha o resultado do seu partido liberal nascido para combater a independência da Catalunha, que perdeu muitos votos para o PP (à custa da estratégia de “voto útil” contra a ameaça da esquerda do Podemos) e viu a sua bancada encolher de 40 para 35 deputados, mantendo-se como quarta força mais votada.
Pior ainda estão os socialistas, ocupados a digerir uma enorme derrota, com apenas 85 deputados, ficaram a 52 do PP, e o descalabro só não é maior por terem evitado a ultrapassagem do Podemos pela esquerda e a queda para terceira força, cenário que todas as sondagens antecipavam.
Rajoy sabe que depois de todos os escândalos de corrupção e abuso de poder, depois da crise e da austeridade feroz com que a geriu, tudo seria muito mais fácil se aceitasse ceder a liderança.

Se Rajoy apostou na polarização e venceu, o Podemos, que fez o mesmo, perdeu. Domingo à noite, Pablo Iglesias, líder incontestado do movimento herdeiro dos Indignados nascido há pouco mais de dois anos, assumiu um “resultado diferente do esperado”. 

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