As
palavras de ordem em Hong Kong e os mares agitados no estreito de
Taiwan não atrapalharam os festejos da maior organização política
do planeta, durante a celebração do 95.º aniversário do Partido
Comunista Chinês (PCC), assinalado esta sexta-feira.
O Presidente chinês, Xi Jinping, que também é secretário-geral do partido, dirigindo-se aos 88 milhões de
militantes, pediu-lhes que continuem “leais à missão” pela qual o PCC foi
fundado, a 1 de Julho de 1921, “A história diz-nos que a escolha
do povo, de que o Partido Comunista os conduzisse na direcção do
grande rejuvenescimento da civilização foi correcta, e que o
caminho do partido [no sentido] do socialismo com características
chinesas também foi correcto”, disse Xi, perante uma plateia que
encheu o Grande Salão do Povo, em Pequim.
O
Presidente chinês voltou a sublinhar também o papel do marxismo
como “princípio básico, fundamental e condutor” da acção do
partido, caso contrário o PCC “perderá a sua alma e direcção”.
Não
é a primeira vez que Xi faz apelos ao cumprimento da ortodoxia
marxista, o que tem levado muitos observadores ocidentais a notar a
diferença discursiva em relação aos seus antecessores,
considerados mais reformistas.
Mas
enquanto Xi se concentrava nas suas dissertações doutrinárias, um
navio de guerra taiwanês disparava um míssil na direcção do
continente, que acabou por atingir um barco de pesca, matando um
pescador taiwanês. O disparo foi acidental e aconteceu durante um
exercício de simulação, devido a um erro humano, explicou o chefe
da Marinha de Taiwan, Mei Chia-shu.
O
Governo da ilha negou que tenha havido uma “motivação política”
por trás da acção, mas o incidente acontece numa altura em que as
relações com a China atravessam um período conturbado.
Na
semana passada, Pequim anunciou o corte das comunicações com
Taiwan, como retaliação pelo não reconhecimento do princípio “uma
China” no discurso de tomada
de posse da nova Presidente Tsai Ing-wen.
O
sistema de comunicações entre a ilha e o continente é uma das
garantias de estabilidade nas águas que separam os dois territórios.
O Governo de Pequim exige o reconhecimento oficial do chamado
“consenso de 1992”, uma declaração assinada pela República
Popular e por Taiwan em que os dois lados reconhecem a existência de
uma única China, sendo deixada em aberto a interpretação para cada
um dos lados sobre o que é esta “única China”, apesar
de ambíguo, esse entendimento, que foi favorecido pelo antecessor de
Tsai, permitiu uma normalização
das relações entre Pequim e Taiwan durante as
últimas duas décadas.
Em
Hong Kong, a liderança chinesa também foi contestada, numa
manifestação que juntou milhares de pessoas em algumas das
principais avenidas do território. Os protestos centraram-se no caso
dos editores, conhecidos por publicarem livros críticos do regime
chinês, que estiveram desaparecidos
vários meses.
Lam
Wing Kee, que esteve oito meses desparecido, disse ter sido levado à
força e interrogado pelas autoridades chinesas, algo que é visto
como sinal da ingerência crescente chinesa nos assuntos internos do
território.




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