Pela
oitava vez seguida, o Banco Central do Brasil (BC), não mexeu nos
juros básicos da economia.
Por
unanimidade, o Comitê de Política Monetária (COPOM) manteve, nesta
quarta-feira, a taxa Selic em 14,25% ao ano, decisão esta, esperada
pelos analistas, que preveem que a taxa ficará inalterada até o fim
do ano.
Os
juros básicos estão nesse nível desde o fim de julho do ano
passado.
Com
a decisão do COPOM, a taxa se mantém no mesmo percentual de outubro
de 2006, a taxa Selic é o principal instrumento do Banco Central
para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Oficialmente,
o Conselho Monetário Nacional estabelece meta de 4,5%, com margem de
tolerância de 2 pontos, podendo chegar a 6,5%, segundo o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA acumulou 8,84%
nos 12 meses encerrados em junho, depois de atingir o recorde de
10,71% nos 12 meses terminados em janeiro.
No
Relatório
de Inflação,
divulgado no fim de junho pelo Banco Central, a autoridade monetária
estima que o IPCA encerre 2016 em 6,9%, o
mercado está mais pessimista, de
acordo com o boletim Focus,
pesquisa semanal com instituições financeiras, divulgada pelo Banco
Central, o IPCA fechará o ano em 7,26%.
Apesar
da queda do dólar, o impacto de preços administrados, como a
elevação da conta de água em várias capitais, tem contribuído
para a manutenção dos índices de preços em níveis altos, nos
próximos meses, a expectativa é que a inflação desacelere por
causa do agravamento da crise econômica.
Embora
ajude no controle dos preços, o aumento ou a manutenção da taxa
Selic em níveis elevados prejudica a economia, isso
porque os juros altos intensificam a queda na produção e no
consumo.
Segundo
o boletim Focus,
os analistas econômicos projetam contração de 3,25% do Produto
Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos pelo país)
em 2016. No Relatório de
Inflação, o BC prevê
retração de 3,3%.
A
taxa é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema
Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência
para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima,
o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços,
porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a
poupança. Quando reduz os juros básicos, o Copom barateia o crédito
e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle
da inflação.
A
primeira reunião do Copom na gestão de Ilan Goldfajn teve mudanças,
o segundo dia de encontro teve o horário antecipado em duas horas, o
que permite a divulgação da taxa Selic por volta das 18h. O BC
decidiu anunciar a taxa apenas pela internet, em vez de ler um
comunicado na presença de jornalistas, e , a ata do Copom, que era
divulgada na quinta-feira da semana seguinte a cada reunião, passará
a ser divulgada dois dias antes, na terça-feira.



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