O
Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL), em
Braga, Portugal, participou no desenvolvimento do disco rígido
“mais pequeno do mundo”, usando uma densidade de armazenamento
que, “em teoria”, permitiria gravar “num único selo postal”
todos os livros do mundo.
O
Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia explicou que a
colaboração com a Universidade Técnica de Delft (Holanda) permitiu
a “redução ao seu limite máximo” do espaço ocupado por cada
'bit' (menor unidade de informação que pode ser armazenada ou
transmitida), levando ao desenvolvimento de um “protótipo
laboratorial de memória digital com 'bits' à escala atómica que
supera a densidade de armazenamento das tecnologias atuais”.
Este
protótipo alcançou uma densidade de armazenamento de 500 terabit
por polegada quadrada, "500 vezes melhor do que os discos
rígidos disponíveis no mercado", sendo que os resultados da
investigação conjunta foram publicados recentemente na Nature
Nanotechnology.
“Em
teoria, esta densidade de armazenamento permitiria que todos os
livros já criados pelo homem pudessem ser gravados num único selo
postal”, referiu Sander Otte, o investigador que lidera o projeto
na Universidade Técnica de Delft.
O
INL lembra que a “sociedade moderna cria mais de mil milhões de
gigabytes de informação nova” todos os dias sendo que “é cada
vez mais importante que cada 'bit' ocupe o menor espaço possível”
para ser possível armazenar todos aqueles dados.
O
grupo de cientistas diz que “conseguiu levar esta redução ao seu
limite máximo com a fabricação de uma memória de 1 kilobyte
(8.000 bits), onde cada bit é representado pela posição de um
único átomo de cloro”.
A
“memória” fabricada “quebra vários recordes”, segundo o
INL, "É, de longe, a maior estrutura funcional fabricada,
juntando átomo por átomo. Até à data ninguém fora capaz de ir
além dos mil átomos", aponta Joaquín Fernández-Rossier,
líder do grupo de Física Teórica do INL.
Apesar
da “nova abordagem” oferecer “excelentes perspetivas em termos
de estabilidade e escalabilidade”, este tipo de memória não
deverá ser introduzido nos centros de processamento de dados a curto
prazo.
"Na
sua forma atual, a memória pode funcionar apenas em condições de
vácuo muito limpo e à temperatura do azoto líquido, de modo que o
armazenamento real de dados à escala atómica ainda está um pouco
distante. Mas através desta conquista, ficamos certamente um passo
mais perto de o conseguirmos", explica Otte.


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