O
culto da perfeição nos Estados Unidos faz com que metade dos
alimentos produzidos no país sejam desperdiçados, isto porque os
alimentos que apresentem algum defeito ou escapem ao padrão
regulamentado são descartados pelos produtores e vendedores, mesmo
que estejam aptos para consumo.
Como
resultado, muitos vegetais e frutas são abandonados nas plantações,
para poupar o trabalho da colheita, deixados em armazéns ou até
desviados para alimentar o gado, porque têm pequenos defeitos que
não afetam o seu valor nutritivo nem a sua qualidade.
A
conclusão é de um trabalho de investigação do jornal The
Guardian, que
entrevistou várias pessoas ligadas ao setor alimentar, desde
agricultores a distribuidores, para além de consultar dados do
governo norte-americano e falar com ativistas e políticos. A
pesquisa contou com o apoio da Fundação Rockfeller.
No
geral, os alimentos são desperdiçados em várias fases, nos campos
e plantações, nos armazéns, durante o empacotamento e
distribuição, nos supermercados e restaurantes e no frigorífico,
mas apenas a quantidade desperdiçada pelos distribuidores e
consumidores é contabilizada pelo governo americano, que afirma que
cerca de 60 milhões de toneladas de comida são desperdiçadas todos
os anos.
Este
número esconde, no entanto, o desperdício que ocorre mais perto do
local de produção, quando os agricultores não conseguem vender os
seus produtos a distribuidores.
Roger
Gordon, criador da startup que tenta reutilizar alimentos
desperdiçados Food Cowboy,
afirmou que o desaproveitamento de comida faz parte do negócio de
produção de alimentos. Menos desperdício prejudica os
supermercados, porque 15% dos lucros destes vêm dos produtos
frescos, “Se nós
reduzirmos o desperdício de produtos frescos em 50% [...] os
supermercados vão passar de uma margem de lucro de 1.5% para 0.7%”,
explica, “E com menos 50%
de desperdício, nós perderíamos 250 mil milhões de dólares [225
mil milhões de euros] em atividade económica que desapareceria”.
Algumas
cadeias de supermercado e grupos industriais estão a lançar
campanhas de redução de desperdício promovendo alimentos menos
perfeitos, os produtores queixam-se, no entanto, que os gigantes do
setor continuam a rejeitar produtos, aplicando critérios de seleção
baseados no aspeto e na perfeição.


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