Faleceu realizador Hector Babenco

O realizador Hector Babenco, faleceu aos 70 anos de idade, nesta quarta-feira, vítima de paragem cardíaca, em São Paulo, no Brasil.
A informação foi confirmada pela ex-mulher, Raquel Arnaud, ao jornal brasileiro Folha de S. Paulo, atualmente estava casado com a actriz Bárbara Paz.
Um dos filmes mais conhecidos do realizador argentino radicado no Brasil é Pixote – A lei do mais fraco, de 1981, que lhe deu a confirmação internacional e que aborda as deambulações de um menino de rua, interpretado por Fernando Ramos da Silva, e contando também com a interpretação da actriz Marília Pera.
O sucesso do filme, valeu a Babenco a possibilidade de ter um filme de produção norte -americana, a adaptação da peça do argentino Manuel Puig, O Beijo da Mulher-Aranha, com William Hurt (Molina), Raul Julia (Valentín) e Sônia Braga (Mulher-Aranha), que conta a história de um prisioneiro político de esquerda que divide a cela com um homossexual, numa prisão de um país da América Latina.

O êxito deste filme valeu ao actor norte-americano William Hurt o prémio de interpretação no Festival de Cinema de Cannes e o Óscar de Melhor Actor em 1985. 

O Beijo da Mulher-Aranha, foi nomeado para Melhor Filme e o próprio Babenco foi nomeado para Melhor Realizador no mesmo ano. O estatuto alcançado deu uma ainda maior credibilidade ao cineasta, o que lhe permitiu contar no filme seguinte, Ironweed/Estranhos na mesma Cidade, de 1987, adaptação do romance de William Kennedy, com duas das maiores vedetas do cinema internacional, Jack Nicholson e Meryl Streep.

É também o realizador de Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia, de 1977, que enfrentou a censura, de Carandiru, de 2003, baseado no livro de Drauzio Varella, Estação Carandiru, sobre a sua experiência como médico na prisão onde aconteceu um massacre em 1992, e de Brincando nos Campos do Senhor (1991), rodado na Amazónia, e com interpretações de John Lihgow, Tom Berenger, Daryl Hannah e Tom Waits. 

Meu Amigo Hindu é a sua mais recente e última longa-metragem, que tem William Dafoe como protagonista e para o qual o actor sofreu uma grande transformação física, pois interpreta um doente. O filme é quase autobiográfico e conta a história de um cineasta que luta contra um tumor, recordando o cancro que Babenco combateu na década de 90.

Nascido em Mar del Plata, na Argentina, a 7 de Fevereiro de 1946, Babenco radicou-se no Brasil aos 19 anos e naturalizou-se brasileiro aos 31 anos.

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