A
seleção da Bélgica era uma das favoritas para vencer o Euro 2016,
mas a equipa acabou por ser eliminada na passada sexta-feira pelo
País de Gales.
A
“geração de ouro” belga entrou em grande e acabou por sair
antes das meias finais, para desilusão dos adeptos, a passagem pelo
Euro 2016 não foi das mais curtas, porém, perante a expetativa
criada, o falhanço tem sido analisado e detalhado, começando agora
a surgir na imprensa belga, pormenores do que poderá ter levado à
saída precoce de uma das equipas favoritas.
A
grande causa parece ter sido a falta de coesão: ainda que nada tenha
sido ventilado durante a competição, a relação do treinador Marc
Wilmots com os jogadores era, no mínimo, conflituosa, apesar dos
esforços do habitual capitão da equipa, Vincent Kompany, afastado
dos relvados devido a lesão.
No
entanto, as polêmicas
sucedem-se: segundo o jornal flamengo Het
Laatste Nieuws,
citado pelo Le Figaro, dois
dias depois da vitória da Bélgica contra a Hungria, por 4-0, os
membros do staff que
acompanha a equipa belga em França decidiram festejar a qualificação
para os quartos de final
com um churrasco. Muitos ter-se-ão embebedado, ao ponto de terem de
ser levados em braços para os quartos, já
os jogadores não participaram na festa: estavam fechados no hotel,
sujeitos a uma disciplina quase militar.
A
imprensa belga refere mesmo que o chefe de segurança da seleção se
imiscuía sem pudores na vida pessoal dos jogadores para não vacilar
na vigilância apertada e que alguns dos futebolistas confessaram
sentir-se “na prisão”, tudo a pedido do selecionador, Marc
Wilmots, que terá chegado a dar uma reprimenda aos futebolistas numa
ocasião em que chegaram quatro minutos atrasados depois de meio dia
de descanso.
A
relação do técnico com a equipa terá sido sempre distante, por
vezes conflituosa, exemplo disso, a discussão com o guarda-redes
Courtois, que chegou a ser referida na imprensa internacional: o
jogador do Chelsea perdeu a calma e questionou a tática do treinador
após o jogo que afastou a Bélgica do Euro 2016, contra o País de
Gales, tendo recebido como resposta um “Tu não me falas assim”.
Wilmots
terá mesmo chamado Courtois para fora da sala onde se encontravam,
para continuarem a discussão longe dos olhares dos restantes
jogadores. Kompany, por seu lado, pediu aos colegas de equipa que,
pelo menos diante da imprensa, apoiassem o selecionador.
A
imprensa belga refere ainda que os futebolistas, apesar de não terem
questionado diretamente as escolhas de Wilmots, conhecido como o
“Touro de Dongelberg ”, Dongelberg é a sua cidade natal na
Bélgica e a alcunha ficou-lhe dos tempos de jogador, chegaram a
enviar mensagens para os jornalistas belgas em França, pedindo-lhes
a eles que criticassem e denunciassem as más opções do treinador.
Nesta
altura, a federação belga está a ponderar a continuidade de
Wilmots na seleção, o dossier será abordado na próxima semana, já
que os membros do organismo estão de férias, esta é,
pelo menos, a versão
oficial. Perante o impasse, o semanário satírico Humo já
começou uma campanha de recolha de fundos para mandar embora o
treinador, difundida nas redes sociais com a hashtag #FreeWilmots
(Libertem Wilmots).



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