A
Rússia não é “nem uma ameaça imediata nem um aliado da NATO”,
sublinhou o secretário-geral da Aliança Atlântica, Jens
Stoltenberg, em Varsóvia, na Polónia, onde terminou este sábado a
cimeira bianual da Organização do Tratado do Atlântico Norte, que
define uma nova posição estratégica em relação a Moscovo.
“O
que nunca vai mudar é o compromisso sem hesitações dos Estados
Unidos com a segurança e defesa da Europa”, assegurou o Presidente
norte-americano, Barack Obama, no fim da cimeira, afastando os
receios criados pelas declarações do candidato republicano à Casa
Branca, Donald Trump, que classificou a NATO como uma organização
“obsoleta”.
Stoltenberg
desenvolveu a estratégia que se desenha para a Aliança: “Não
temos a parceria estratégica que tentámos desenvolver após a
Guerra Fria, mas já não estamos numa situação de Guerra Fria”,
sublinhou. “Defesa forte e diálogo construtivo, estes são os
compromissos sobre os quais se fundam as nossas relações com a
Rússia”, afirmou.
O
comunicado final da cimeira frisou que “a natureza das relações
da Aliança com a Rússia e as aspirações a uma parceria são
contingentes a uma alteração clara e construtiva nas acções da
Rússia que demonstre o cumprimento da lei internacional e das suas
obrigações e responsabilidades internacionais”.
Stoltenberg
apelou ao fim do apoio “político, militar e financeiro da Rússia
aos separatistas” que lutam contra Kiev no Leste da Rússia como
uma condição para o regresso à normalidade das relações com
Moscovo. A anexação da Crimeia, considerada “ilegal e ilegítima”,
os “exercícios militares de larga escala” e outras “actividades
militares provocatórias perto das fronteiras da NATO”, “as
violações repetidas do espaço aéreo aliado”, “a retórica
nuclear irresponsável e agressiva” e a “intervenção militar e
significativa presença militar na Síria em apoio do regime de
Assad” fazem parte do rol de acções que a Aliança Atlântica
classifica como “acções políticas desestabilizadoras” russas
dos últimos anos.
É
por causa de tudo isto que, na sexta-feira, os líderes da NATO
aprovaram a criação dos
novos quatro batalhões móveis multinacionais, que
ficarão nos três países bálticos e na Polónia, e que fazem parte
da nova estratégia de dissuasão de eventuais avanços russos.
Nos
media russos, estas movimentações da Aliança Atlântica estão a
ser recebidas com desagrado, “Parece que a NATO está a sonhar em
fazer guerra com a Rússia, titulou o jornal Pravda,
citado pelo correspondente da BBC em Moscovo. As medidas tomadas pela
NATO “reflectem os seus planos para mais confrontos com a Rússia e
para se expandir para Leste”, diz a Nezavisimaya
Gazeta, citada
também pela BBC.
Mikhail
Gorbatchov, que enquanto Presidente da União Soviética pôs fim à
Guerra Fria, tem criticado a
NATO por contribuir para aumentar a tensão com a Rússia, e
é citado pela agência russa Interfax a tecer críticas à nova
lógica de dissuasão aprovada pela Aliança. “Toda a retórica de
Varsóvia como que grita o desejo de declarar guerra à Rússia”,
declarou Gorbatchov.
Quanto
às ambições da Geórgia e da Ucrânia de virem a juntar-se à
NATO, da cimeira de Varsóvia não levaram grande coisa. A Ucrânia
pôde contar com o apoio dos 28 líderes da Aliança no apelo para o
acordo dos acordos de paz de Minsk, apesar das múltipplas
violações do cessar-fogo no Leste, mas
também o aviso de que tem de fazer mais relativamente às reformas.
O
Presidente ucraniano, Petro Poroshenko, reuniu-se com Barack Obama,
Angela Merkel, François Hollande, David Cameron e Matteo Renzi.
Finalmente,
os líderes dos 27 países da NATO para além dos Estados Unidos
prometeram canalizar cerca de mil milhões de dólares anuais durante
os próximos três anos para continuar a financiar o exército afegão
e a missão de treino das Forças Armadas afegãs, que conta com 12
mil militares da NATO e dos EUA. Washington canaliza, no entanto 3,5
mil milhões de dólares anuais para esta missão.




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