Nos
últimos dez dias foram encontrados 120 cadáveres nas praias de
Sabratha, na Líbia, presumivelmente de pessoas afogadas
enquanto tentavam cruzar o Mediterrâneo para chegar à Itália,
segundo revelou a Organização Internacional para as Migrações
(OIM), anunciando também que, com estes e outros corpos encontrados
recentemente na costa líbia, aumentou para 3120 o número de
imigrantes e requerentes de asilo afogados até ao final de Julho no
Mediterrâneo: um aumento de 35% em relação ao último ano.
Os
corpos encontrados nas praias líbias não viajavam em embarcações
que as guardas costeiras líbia e italiana conhecessem. Acontece o
mesmo com os 87 corpos descobertos a meio do mês de Julho e a outros
33 cadáveres encontrados dias antes, num sinal de como a rota
migratória entre a Líbia e a Itália é mais mortífera do que a
que faz a ligação entre a Turquia e a Grécia.
A
grande maioria de pessoas afogadas no Mediterrâneo morre aqui, uma
em cada 23, segundo números
das Nações Unidas, “Recebemos estas informações das autoridades
líbias com quem colaboramos”, adiantou nesta terça-feira o
porta-voz da OIM, Joel Millman. Segundo ele, três quartos das mortes
de imigrantes e requerentes de asilo no mundo acontecem no
Mediterrâneo.
Só
este ano morreram 4027 possíveis refugiados globalmente, 2692
pessoas na rota líbia e 383 que se afogaram entre a Turquia e a
Grécia, esse fluxo caiu significativamente depois do polémico
acordo, assinado entre a
União Europeia e a Turquia em Março deste ano.
“Encaminhamo-nos
para superar já o número total de mortes conhecidas em 2015”,
explica à Al-Jazira Niels Frenzen, director do órgão de
monitorização de fluxos de refugiados da Universidade do Sul da
Califórnia.
No
último ano, segundo dados da OIM, morreram 3771 imigrantes e
requerentes de asilo no Mediterrâneo, a maioria, uma vez mais, entre
a Líbia e Itália, 2892 pessoas, num universo recorde de mais de um
milhão de passagens, a organização também revelou, que 257 mil
pessoas o fizeram este ano.
Mas
nem só no Mediterrâneo morrem possíveis refugiados, a OIM explica
que o segundo local mais mortífero para deslocados em trânsito é o
Norte de África, onde muitas pessoas, 342 até ao final de Julho,
morreram às mãos de traficantes e “autoridades nacionais”, o
que a organização diz ser um aumento nas mortes violentas nesta
região. As contas da OIM encerram-se com a morte de pelo menos 64
requerentes de asilo na fronteira da Síria com a Turquia, a maior
parte abatidos por militares turcos.
Ancara
já foi acusada no passado de abater famílias sírias que tentam
cruzar a fronteira, como denunciaram repetidamente agências
humanitárias como a Human Rights Watch e a Amnistia Internacional,
embora o Governo turco recuse as alegações e prometa que a sua
fronteira está aberta a qualquer sírio que deseje fugir da guerra.


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