Cadernos
com rotina do líder das SS, Heinrich Himmler, estiveram esquecidos
durante mais de sete décadas num arquivo militar russo.
Para
Heinrich Himmler, um dia de trabalho normal começava sempre com uma
massagem do seu médico, Felix Kersten.
O
líder das SS, encarregue por Adolf Hitler de gerir o extermínio dos
judeus durante a II Guerra Mundial sofria de dores de estômago
crónicas e, a forma que encontrara de as aliviar, era
com uma massagem do seu
médico, Felix Kersten.
A
rotina do oficial nazi foi agora revelada pelo jornal
alemão Bild depois
de analisar os seus diários de 1938, 1943 e 1944, nos quais ficamos
a saber que depois das massagens matinais, Himmler se dividia entre
chamadas para a mulher e filha, visitas à amante, encontros com
oficiais SS ou idas a campos de concentração.
Esquecidos
durante mais de sete décadas nos arquivos militares russos de
Podolsk, a sul de Moscovo, os diários levados pelos soviéticos no
fim da guerra constituem uma espécie de relato da “banalidade do
mal”, usando a frase de Hannah Arendt escreveu no seu livro sobre o
julgamento de Adolf Eichmann, o homem que Himmler escolheu para
organizar o dia a dia da Solução Final.
Casado
com Margaret, a quem chamava Mami,
Himmler (mãe
Himmler),
quase todos os dias
ligava à família que apenas visitava algumas vezes por ano no sul
da Alemanha, e
nunca esquecia Püppi (Boneca),
a alcunha que dava à filha Gudrun. Mas os dias do homem que antes de
se juntar às SS foi vendedor de fertilizante também passavam pelas
visitas à amante e mãe de dois filhos, a antiga secretária Hedwig
Potthast, que nunca é, no
entanto, referida pelo nome
nos diários, limitando-se Himmler a escrever que estava “em
trânsito”, quando viajava
até à sua casa em Berchtesgaden.
Arquivadas
na Rússia como Dnevnik (ou
“Diário”,
em russo), as mais de mil páginas escritas por Himmler revelam a sua
crescente influência na estrutura do regime nazi.
Quando
assumiu a chefia das SS em 1929, estas tinham menos de 300 homens,
mas depressa o filho de um professor bávaro fez delas uma força
paramilitar com mais de um milhão de homens.
Meticuloso
e organizado, Hitler nomeou-o ministro do Interior, entregou-lhe a
gestão da Gestapo, a polícia política do regime nazi, e a
supervisão dos campos de concentração.
No
dia a dia, Himmler alinhava reuniões com oficiais das SS e entre um
telefonema à família e um jogo de cartas ao fim do dia, assinava
ordens de execução e ordenava o envio de milhões de pessoas para
os campos de concentração. Uma das entradas do diário termina com
a decisão do oficial de mandar executar dez polícias polacos por
não terem ripostado quando a sua esquadra foi atacada, numa Polónia
sob ocupação nazi.
As
idas aos campos de concentração eram muitas vezes apenas
identificadas como "inspeções", mesmo quando, como a 2 de
fevereiro de 1943, se referiam à ida de Himmler a Sobibor onde
assistiu à morte de 400 mulheres e raparigas numa câmara de gás,
cuja eficácia estava a testar. Já numa ida a Buchenwald, Himmler
escreveu que tomara “um snack no café SS-Casino”.
De
um homem tão cruel já se sabia, no entanto, que não gostava muito
de ver sangue, após a análise deste diários ficamos ainda saber
que Himmler esteve à beira de desmaiar durante a execução de um
grupo de judeus em Minsk, na atual Bielorrússia, quando o cérebro
de uma das vítimas lhe sujou o casaco.
Nos
últimos meses, o Instituto de História Alemão, em Moscovo,
analisou os diários, cuja autenticidade veio a comprovar, “A
importância destes documentos é darem-nos uma melhor compreensão
estrutural da última fase da guerra”,
explicou ao The
Times, Nikolaus
Katzer, o diretor do instituto.
A
descoberta destes diários surge dois anos depois de um conjunto de
cartas de Himmler enviadas à mulher e à filha, bem como fotografias
e até um livro de receitas pertencentes ao oficial nazi, terem sido
descobertos em Israel. O tom leve e até divertido com que se dirigia
à família, assinando as cartas com “beijos, Heini!”- contrastam
com a imagem de carniceiro que ficou para a história.
Muitas
vezes fotografado ao lado de Hitler, Himmler, facilmente reconhecível
graças aos óculos redondos, foi capturado pelas forças britânicas
no fim da guerra quando tentava fugir da Alemanha com documentos
falsos. Levado para interrogatório, acabou por se suicidar mordendo
uma cápsula de cianeto que tinha num dente. A sua filha Gudrun, hoje
com 86 anos, continua a viver em Munique, onde dá apoio a criminosos
de guerra nazis.




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