Foi
inaugurado neste domingo, o
ambicioso projecto de expansão do Canal do Panamá.
Dos
mais de 70 chefes de Estado e de Governo convidados para participar
na cerimónia que marcou a entrada em funcionamento da renovada
infraestrutura, só uma dúzia aceitou marcar presença
Os
analistas explicam
que os restantes preferiram manter-se, cautelosamente, a uma
distância segura do território da sociedade de advogados Mossack
Fonseca, de cujos arquivos, os
Panama Papers, saíram os
ficheiros com a informação relativa ao recurso a offshores para
fuga ao fisco ou lavagem de dinheiro.
Milhares
de panamianos participaram na cerimónia, que foi preparada com pompa
e circunstância para melhorar a reputação do país, seriamente
afectada pelo escândalo financeiro revelado em Abril, “O canal, o
seu desenvolvimento e a sua importância para o comércio global, são
a verdadeira expressão do Panamá”, sublinhou o chefe da
Autoridade do Canal do Panamá, evitando referir-se ao escândalo que
leva o nome do país.
Apesar
da ausência dos convidados com nomes mais sonantes, como o
Presidente dos EUA, Barack Obama, ou o Presidente da China, Xi
Jinping, o ministro dos Negócios Estrangeiros garantiu que todos os
países enviaram representantes e considerou o evento um “sucesso
diplomático”, atendendo ao número de líderes internacionais
presentes.
Orçado
em mais de cinco mil milhões de dólares, o projecto que torna a via
navegável pelos maiores navios cargueiros do mundo envolveu a
construção de novas eclusas e ainda a drenagem e alargamento do
canal, que ficou mais largo e mais profundo.
Originalmente
inaugurada em 1914, a infra-estrutura já tinha sido alargada por
duas vezes: a nova expansão permite não só duplicar a capacidade
(para 600 milhões de toneladas de mercadorias por ano) como
reafirmar a relevância desta rota comercial, “Este é um grande
dia para o Panamá mas também para o resto do mundo: o nosso canal é
um símbolo de unidade”, declarou o Presidente do Panamá, Juan
Carlos Varela.
O
primeiro navio a utilizar as novas eclusas e a precorrer o canal, do
oceano Atlântico para o Pacífico, foi o gigantesco Cosco
Shipping
Panama,
embarcação de pavilhão chinês com 300 metros de comprimento e 13
mil contentores. A China e os Estados Unidos são os utilizadores
mais frequentes do canal, e deverão ser os maiores beneficiários do
alargamento.
Com
o novo Canal do Panamá, os navios de carga que transportam
contentores, gás natural, carvão ou soja conseguem encurtar o seu
trajecto entre os portos atlânticos e os mercados da Ásia em 16
dias. No entanto, as eclusas não permitem a passagem da última
geração de petroleiros.



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