Mais
de 1,6 milhão
de grávidas poderão ser infetadas com o Zika na América Central e
do Sul na primeira onda da epidemia, revela
um estudo publicado
na edição eletrónica da revista Nature
Microbiology, estimando que ,
no total, 93,4 milhões de pessoas sejam infetadas com o vírus na
América do Sul e no Caribe nas primeiras fases da disseminação do
vírus.
O
estudo mostra também que o Brasil deverá ser o país com maior
número de infeção, com mais do dobro dos casos de qualquer outro
país, devido ao seu tamanho e à facilidade de transmissão.
Segundo
as estimativas, 37,4 milhões de pessoas serão infetadas no Brasil e
579 mil grávidas estão em risco, enquanto o México, o segundo país
mais afetado, registará 14,9 milhões de infeções e 263 mil
grávidas em risco.
Tendo
em conta a associação entre o vírus e uma série de doenças
fetais, nomeadamente a microcefalia congénita, os cientistas alertam
que a doença é um risco para os 15 milhões de bebés que nascem
todos os anos nas Américas e definem como uma prioridade estimar a
porção desta população que está realmente em risco.
“Os
nossos resultados sugerem que 1,65 milhão de mulheres grávidas e
93,4 milhões de pessoas no total poderão ser infetadas antes do fim
da primeira onda da epidemia”, escrevem os investigadores,
admitindo que estes números são o limite máximo estimado para esta
fase.
Baseando-se
nas estimativas atuais de fetos afetados entre as mulheres infetadas,
os cientistas estimam que “dezenas de milhares de gravidezes
poderão ser negativamente impactadas” pela epidemia.
O
geógrafo Andrew Tatem, da Universidade de Southampton, no Reino
Unido, e diretor na Fundação Flowminder, na Suécia, disse que “é
difícil prever com rigor quantas mulheres grávidas estão em risco
de infeção pelo Zika, porque uma grande parte da população não
apresenta sintomas”.
Com
efeito, estima-se que 80% das infeções por Zika sejam
assintomáticas e algumas das que apresentam sintomas poderão
dever-se a outros vírus.
O
estudo agora apresentado por investigadores do pelo projeto WorldPop
e pela Fundação Flowminder na Universidade de Southampton e colegas
das Universidades de Notre Dame e de Oxford, resulta de uma projeção
baseada num modelo desenvolvido pela equipa de Alex Perkins, da
Universidade de Notre Dame, no estado norte-americano de Indiana.
Os
investigadores examinaram o impacto provável do vírus a um nível
muito localizado, de cerca de cinco quilómetros quadrados cada, e,
segundo eles, o método é mais rigoroso do que estimativas
anteriores porque tem em conta teorias ecológicas como a imunidade
de grupo, quando há tantas pessoas com imunidade que o resto da
população goza de imunidade indireta, ou o número básico de
reprodução de casos - o número estimado de novas pessoas que uma
pessoa infetada consegue contaminar numa população completamente
suscetível.
Como
os padrões de transmissão do Zika ainda são pouco conhecidos, os
cientistas usaram informação epidemiológica dos vírus do dengue e
de Chikungunya, do mesmo tipo do Zika, para produzir uma projeção
mais realista, pode ler-se num comunicado da revista Nature
Microbiology.
“Estas
projeções são um contributo inicial importante para os esforços
globais de compreensão da dimensão da epidemia de Zika e para
fornecer informação sobre a sua possível magnitude, ajudando a
planear melhor a vigilância e a resposta ao surto, tanto
internacionalmente como localmente”, disse Tatem.
O
Brasil, o país mais afetado pela epidemia de Zika, contabiliza 1.709
casos de microcefalia em recém-nascidos desde outubro do ano
passado, segundo dados do Ministério da Saúde brasileiro, de acordo
com o mais recente boletim da tutela, com dados até 16 de julho,
“outros 3.182 casos permanecem sob investigação”.
Dos
8.571 casos notificados desde outubro do ano passado, "3.680
foram descartados por apresentarem exames normais, por apresentarem
microcefalia ou malformações confirmadas por causa não
infecciosas" ou por “não se enquadrarem na definição de
caso”.
Também
foram registadas 354 mortes por suspeita de microcefalia ou outra
alteração do sistema nervoso central após o parto ou durante a
gravidez.
O
Brasil é um dos países mais afetados pelo vírus Zika e com mais
casos de microcefalia associados ao vírus, embora a má-formação
também possa estar relacionada com outros agentes infecciosos.




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