Depois
de sete anos de investigação sobre uma onda de suicídios na
empresa de telefonia France Télécom, a Justiça francesa, solicitou
nesta quinta-feira, a abertura de um processo por “assédio moral”
contra o grupo e seu ex-presidente, Didier Lombard.
Entre
2006 e 2009, 60 empregados se suicidaram, depois do anúncio de um
plano de reestruturação da sociedade.
Tudo
começou em uma reunião dos altos funcionários da France Télécom,
hoje Orange, realizada no dia 20 de outubro de 2006, o encontro
deveria ser uma operação para “motivação” das equipes,
estratégia comum em grandes empresas.
Entre
os objetivos do presidente da sociedade na época, Didier Lombard,
estavam as demissões de 22 mil empregados, outros 14 mil deveriam
mudar de cargo, a decisão foi baseada no endividamento da empresa,
pois as dívidas da France Télécom na época se aproximavam de 50
bilhões de euros.
“Essas
pessoas sairão da empresa de qualquer jeito, pela porta ou pela
janela”, teria dito diante do diretor de recursos humanos da France
Télécom, Olivier Barberot.
As
consequências dos dois programas colocados em prática foram
dramáticas, no
total, 60 empregados se
suicidaram em três anos, 35
apenas entre 2008 e 2009, uma
gestão denunciada pelos sindicatos franceses como “uma
brutalidade extraordinária”.
No
entanto, para Lombard, a onda de mortes sob sua gestão não passou
de uma “moda”,
declaração essa que
o obrigou a renunciar ao
cargo.
Durante
quatro anos, a Justiça de Paris analisou milhares de e-mails,
apresentações, interrogou
dezenas de empregados e altos
funcionários, concluindo em
relatório que “incidentes
frequentes”, com o objetivo
de “desestabilizar os
funcionários”, criaram um
"clima profissional de ansiedade" para acelerar os pedidos
de demissão.
No
final do documento de 193 páginas, a conclusão é categórica:
“sete ex-dirigentes da
France Télécom devem ser processados”.
Trinta
e nove vítimas são citadas no relatório, especialmente no período
2006-2011, 19 cometeram suicídio, 12 tentaram e oito sofreram
depressão ou
pediram licença.
No
requerimento, a promotoria também pede um processo por assédio
moral para outros dois executivos, Barberot e o ex-número dois da
empresa, Louis-Pierre Wenes, outros quatro executivos são acusados
de cumplicidade.


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