A
contestação à actuação da polícia nos Estados Unidos subiu
novamente de tom depois de, em 48 horas, dois homens negros terem
sido mortos por agentes policiais.
Na
quarta-feira à noite, polícias mataram Philando Castile, que foi
atingido com vários tiros quando estava ao volante do seu carro,
depois de ter sido parado numa operação stop no
Minnesota, um dia antes, na
terça-feira, Arlon Sterling
foi morto, também a tiro,
quando estava a vender CD's em Baton Rouge, capital do estado da
Luisiana.
Há
registos de vídeo das duas mortes e as suas divulgações
agravaram a onda de contestação na comunidade afro-americana
que acusa a polícia de abusos
raciais.
Philando
Castile, a vítima de quarta-feira, foi atingido no momento em que
levava as mãos aos bolsos, foi mandado parar por causa de um farol
partido. O vídeo, filmado pela mulher que ia ao seu lado e que se
apresenta como sua namorada (e cuja filha, ainda criança, estava no
assento de trás do carro), começa pouco depois dos disparos. Nele,
Castile surge ensanguentado, perde rapidamente a consciência e, pela
janela, vê-se um polícial com a arma em punho.
A
namorada de Castile tem vindo a ser identificada pelo nome da conta
de Facebook onde o vídeo foi partilhado: Lavish Reynolds.
Segundo
disse, o polícial disparou várias vezes depois de Castile ter
avisado que a sua carta de condução estava na carteira, que, por
sua vez, estava no bolso das calças, e que também tinha uma arma
consigo. “[O polícia] disparou sem razão aparente, sem razão
nenhuma”, afirma Reynolds, no vídeo.
“Ele
disse-lhe que [a carta] estava na carteira, mas que tinha uma pistola
consigo porque tinha licença de porte de arma”, prossegue
Reynolds. “O agente disse-lhe para não se mexer. À medida que ele
punha as mãos de volta no volante, o agente disparou contra o seu
braço umas quatro ou cinco vezes”, diz a mulher no vídeo,
enquanto, no fundo, se ouve a voz do polícial a dizer: “Eu
disse-lhe que não a fosse buscar. Eu disse-lhe para pôr as mãos
onde eu as visse.”
A
polícia do Minnesota diz que está a investigar o caso e que
encontrou uma arma ligeira no veículo, mas a onda de contestação
já se faz sentir a nível nacional, acicatada pelo vídeo da morte
de Arlon Sterling, na terça-feira, que fez eclodir protestos em
Baton Rouge. A polícia local também está a investigar o sucedido e
diz que tem em conta um possível caso de discriminação racial.
Ainda
na noite de quarta-feira, um grupo de manifestantes tentou impedir
que polícia rebocasse o carro em que Philando Castile foi atingido.
Mais tarde, à saída do hospital, uma representante da NAACP, uma
organização que protege os direitos da comunidade afro-americana,
sugeriu que há suspeitas de que a morte de Castile, que trabalhava
na cantina de uma escola local, tenha sido provocada por questões
raciais.
“A
família tem uma série de dúvidas sobre o que aconteceu”, afirmou
Nekima Levy-Pounds, presidente da NAACP, “Não acreditam que tenha
havido justificação para os disparos. Philando Castile era um
cidadão exemplar, de acordo com todos os relatos que ouvimos”,
concluiu.
A
comunidade afro-americana queixa-se de práticas racistas pela
polícia nos Estados Unidos, onde o número de homens negros mortos
por agentes de segurança supera em muito o de outros grupos da
população, e há indícios de comportamentos discriminatórios em
esquadras como a de Ferguson, no Missouri, onde em 2014 morreu o
jovem Michael Brown, provocando uma grande
vaga de contestação nacional
sobre o comportamento da polícia norte-americana, acusada de
racismo.
O
vídeo da morte de Arlon Sterling às mãos da polícia, como os de
outros cidadãos negros nos últimos dois anos, reanimou o debate
sobre a igualdade racial na América. Um primeiro registo de vídeo
mostra Sterling repetidamente atingido enquanto estava manietado no
chão por dois polícias, que gritam, a dada altura e quando a vítima
estava no chão: “Ele tem uma arma!”.
O
dono da loja em cuja porta estava a vender disse aos jornais locais
que a polícia retirou do bolso de Sterling uma arma, mas não há
nenhuma prova em como esta tenha sido apontada à polícia.



Sem comentários:
Enviar um comentário