Foi
há cerca de 3150 anos, por volta de 1130 a.C., que os primeiros
seres humanos colonizaram os vales dos Himalaias, um dos últimos
locais do planeta a ser habitado. Oito corpos encontrados na cadeia
montanhosa mais alta do mundo revelaram dados importantes sobre a
forma como essa população conseguiu sobreviver a mais de cinco mil
metros de altitude.
Os
restos mortais encontrados na Área de Conservação de Annapurna, na
reserva do Nepal, foram estudados por uma equipa de cientistas que
sequenciou o seu genoma e publicou os resultados na revista
científica PNAS.
Dizem
respeito a três culturas diferentes que habitaram os Himalaias desde
há 3150 até há 1250 anos e o seu ADN foi comparado com o dos
habitantes locais, bem como com tibetanos e xerpas (habitantes dos
Himalaias no Nepal).
Todos
os corpos foram encontrados em sepulturas com sinais de rituais, ao
lado dos mortos, conta o diário espanhol El País, estavam vários
objetos da China, da Índia, do Quirguistão e do Irão.
No
período analisado, os rituais mudaram imenso, a última cultura
estudada, por exemplo, separava a carne dos ossos antes de os
sepultar, uma prática relacionada com o zoroastrismo, uma religião
antiga praticada na Pérsia. O ADN analisado nos oito corpos revela
que o genoma daquele povo mudou pouco nos últimos três mil anos,
uma vez que o ADN dos atuais habitantes dos Himalaias é idêntico ao
dos seus ancestrais. Isto porque, apesar de todas as mudanças
culturais, não houve misturas significativas com outros povos.
Cristina
Warinner, antropóloga da Universidade de Oklahoma e coautora do
estudo, explicou que as sepulturas estão perto de uma cadeia
montanhosa, que teria sido uma rota comercial controlada pela
população.
Os
investigadores descobriram que, muito provavelmente, os primeiros
colonizadores tinham viajado da Ásia Oriental, mais concretamente do
planalto do Tibete, e terão ascendido progressivamente aos picos de
altitude média, adaptando-se e deixando que “a evolução fizesse
o seu trabalho”.
As
mutações nos genes EPAS1 e EGLN1 são uma característica comum dos
antigos habitantes da região, que lhes permitiu viver em altitudes
elevadas e com falta de oxigénio, tibetanos e xerpas também
apresentam a mesma alteração.
Outra
característica interessante é que a mutação do gene EPAS1, que
permite a vida em altitudes elevadas, tem uma origem muito remota.
Há
dezenas de milhares de anos, o Homo sapiens foi cruzado com
denisovanos, uma espécie arcaica que vivia na Ásia, tiveram
descendentes férteis com uma variação genética essencial para
viver em zonas extremas, esta terá sido a chave para que os
comerciantes conquistassem os Himalaias.



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