Jornalista bielorrusso assassinado à bomba

Uma bomba explodiu pouco depois de Pavel Sheremet, um conhecido jornalista de investigação de 44 anos que incomodava políticos e milionários poderosos na Rússia, Ucrânia e Bielorrúsia ter ligado o motor, no centro de Kiev.
Eram 7h45 (hora local), ia para a Rádio Vesti, onde tinha um programa matinal, para além de trabalhar no site de jornalismo de investigação Ukrainska Pravda, a explosão foi tão forte que partes do carro foram atiradas ao ar.
Sheremet era bielorrusso, mas há muito tempo que estava fora do seu país natal, habitualmente designado como a “ultima ditadura na Europa”, tornou-se bem conhecido pelas críticas abertas ao Presidente Alexander Lukashenko, foi porta-voz da organização Charter 97, que produziu uma declaração em 1997 apelando ao respeito da democracia e direitos humanos na Bielorrússia.

Face à pressão cada vez maior do Governo de Lukashenko, mudou-se para Moscovo em 1998, e obteve nacionalidade russa, ali trabalhou como jornalista de investigação durante 12 anos, produzindo documentários sobre questões incómodas, como a guerra na Tchechénia, a queda da União Soviética, ou a morte do general Alexander Lebed, que em 1996 ficou em terceiro lugar nas eleições presidenciais russas.
Em 2002, ganhou o prémio de jornalismo da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) pelas suas reportagens sobre violações de direitos humanos na Bielorrússia, incluindo desaparecimentos de políticos da oposição e jornalistas.
Era amigo do russo Boris Nemtsov, assassinado a tiro numa rua de Moscovo em 2015, o político que se tornou dissidente e crítico de Vladimir Putin, cuja última tarefa era a denúncia da intervenção russa na Ucrânia, e a falta de reconhecimento de Moscovo de que os seus soldados estão a lutar no país vizinho.
Sheremet, em Outubro, tinha dito à Reuters que já não se sentia confortável em Moscovo. “Recebo ameaças e dão-me avisos. Sempre que vou lá, sinto que estou num campo minado.”
Tinha também dito que a Ucrânia precisa de media fortes e independentes para resistir aos poderosos milionários do país, “A liberdade de expressão e o jornalismo objectivo está outra vez a tornar-se um problema muito sério. Os oligarcas estão a fazer os seus jogos outra vez, operações de relações públicas ‘negras’, a usar os media para ajustar contas e resolver problemas políticos.”

O Presidente ucraniano Petro Poroshenko classificou este como um “assassínio cínico”, “Parece ter tido um único objectivo, desestabilizar a situação no país, possivelmente antes de outros acontecimentos”, afirmou, num discurso na televisão. O Presidente pediu auxílio ao FBI norte-americano para investigar o caso, “para haver o máximo de transparência”.

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