Cinco
anos depois de ter descolado da Terra, a sonda Juno,
da NASA, chegou na terça-feira de madrugada a Júpiter,
maior planeta do sistema
solar.
Este
é apenas o segundo aparelho destinado a estudar Júpiter, a
sonda Galileu,
foi
a primeira, na década de 1990, por
isso, o sucesso deste passo difícil foi comemorado efusivamente na
sala de comando do Laboratório de Propulsão a Jacto (JPL, sigla em
inglês) da NASA, em Pasadena, na Califórnia.
“Estamos
lá! Estamos em órbita! Conquistamos Júpiter”, disse Scott
Bolton, coordenador da missão, do Instituto de Investigação do
Sudoeste, em San Antonio, no Texas, “Agora começa a parte
divertida.”, ou seja, estão abertas as portas para começar a
fazer ciência: a Juno vai analisar a magnetosfera do planeta, a
constituição da atmosfera e do seu interior, podendo ajudar a
compreender a formação inicial do sistema solar, há cerca de 4500
milhões de anos.
Eram
20h53 de segunda-feira na Califórnia, quando os cientistas da NASA
receberam o sinal enviado pela Juno,
provocando uma onda de aplausos e abraços, registados nas
fotografias divulgadas pela NASA. “O Dia da Independência é
sempre algo que se deve celebrar, mas hoje podemos juntar ao
aniversário dos Estados Unidos outra razão para dar vivas –
a Juno chegou
a Júpiter”, disse Charlie Bolden, administrador da NASA,
referindo-se ao dia 4 de Julho.
O
momento foi até celebrado pela Google, que fez um doodle com
a chegada da Juno a
Júpiter, alterando o seu logotipo em homenagem a esta missão
espacial.
A
entrada em órbita daquele planeta era um
momento de tudo ou nada, a
sonda tinha de estar no local correcto para activar o seu motor
principal e mantê-lo ligado durante 35 minutos, de modo a diminuir a
sua velocidade, o que permitiu que fosse capturada numa órbita à
volta de Júpiter, explica a NASA num comunicado. Se houvesse alguma
falha neste movimento, a sonda não era capturada pelo planeta, e
seria o fim da missão, que custou cerca de 990 milhões de euros.
“A
inserção na órbita de Júpiter foi um grande passo e o maior
desafio que ainda faltava ultrapassar no nosso plano”, disse Rick
Nybakken, um dos responsáveis da missão do JPL, explicando que os
instrumentos funcionaram na perfeição. Mas a fase científica não
vai começar já, “Há outros passos que têm de ocorrer antes de a
equipa de ciência poder receber nas mãos a missão que tanto
deseja”, acrescentou, citado em comunicado da NASA.
Nos
próximos meses, vão ser feitos os últimos testes aos subsistemas
da sonda, além das calibrações aos oito instrumentos científicos
e a uma câmara, as primeiras imagens de Júpiter vão ser obtidas já
a 17 de Agosto, e os instrumentos científicos poderão começar a
fazer ciência antes do esperado.
“A
fase oficial de recolha científica inicia-se em Outubro, mas
encontrámos uma forma de recolher informação muito antes”,
revelou Scott Bolton, no comunicado da NASA.
Depois,
vão iniciar-se as 33 órbitas científicas que vão permitir
observar toda a superfície do planeta, a
missão durará
20 meses e acabará com a Juno a
despedir-se, mergulhando na atmosfera de Júpiter. O mergulho será
uma forma de evitar que a sonda possa ser esmagada contra a lua
Europa e contaminá-la com micróbios terrestres, já que tudo indica
que esta lua tem um oceano interior que poderá albergar formas de
vida.
A
Juno partiu da Terra a 5 de Agosto de 2011 e nestes quatro anos e 11
meses percorreu 2800 milhões de quilómetros.
A
primeira vez que uma viagem deste calibre foi feita, em Dezembro de
1973, a sonda norte-americana Pioneer
10 passou ao
lado de Júpiter e fotografou-o, essas
foram as primeiras imagens em que a humanidade pôde observar aquele
gigante de perto, com as suas listas brancas e acastanhadas, que
revelam a impressionante vida atmosférica joviana.
Nas
décadas seguintes, o gigante foi visitado por mais cinco sondas,
além da Galileu,
que chegou em 1995 e ficou por lá oito anos, estudando não só o
planeta mas também algumas das suas luas como Io, Europa, Ganimedes
e Calisto, as famosas luas observadas por Galileu Galilei, em 1610.
Agora,
será a vez dos nove instrumentos da Juno perscrutarem
aquele gigante três vezes maior do que Saturno, com 11 vezes o
diâmetro da Terra (12.756 quilómetros) e 122 vezes a sua área
superficial.
Além
de uma câmara a cores, a Juno tem
dois transmissores que vão trocar sinais com a Terra, para analisar
a influência gravítica de Júpiter, e inferir a sua estrutura
interna, um magnetômetro
para criar um mapa tridimensional da magnetosfera do planeta, um
radiómetro que vai analisar micro-ondas
emitidas pelo gigante para detectar a composição das nuvens de
Júpiter; e um detector de partículas para analisar como é que elas
interagem com a magnetosfera de Júpiter.
Apesar
de a sonda ser norte-americana, alguns dos instrumentos foram
construídos por cientistas europeus, como o aparelho italiano que
vai observar as auroras boreais de Júpiter, as maiores do sistema
solar, devido à enorme magnetosfera do planeta. Além disso,
investigadores da Bélgica, Dinamarca, França, Itália e do Reino
Unido ajudarão a analisar os dados obtidos.
Por
ser tão grande, pensa-se que Júpiter influenciou a disposição do
resto dos planetas, “Toda a minha vida tive uma questão que agora
espero que seja respondida: como é que chegámos aqui? Isso para mim
é bastante fundamental”, afirmou Scott Bolton. A resposta também
ajudará a compreender a formação dos outros sistemas solares que
povoam o Universo.





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