Terroristas do Estado Islâmico matam no Bangladesh

A presença do autoproclamado Estado Islâmico no Bangladesh era negada pelo Governo até sexta-feira, quando sete homens entraram num restaurante na zona mais vigiada da capital e mataram vinte pessoas, na sua maioria estrangeiros. O ataque constitui a maior demonstração de força do grupo terrorista no Sudoeste Asiático.
O bairro de Gulshan, em Daca, era considerado um dos poucos lugares seguros na capital do Bangladesh, a maioria das embaixadas e os seus estabelecimentos costumam ser frequentados pela comunidade de estrangeiros, sobretudo os empresários ligados ao sector têxtil, base da economia local.
Sete homens armados forçaram a entrada no restaurante Holey Artisan Bakery, gritando “Deus é grande!” (Allahu Akbar) enquanto abriam fogo, iniciando o sequestro que duraria 12 horas. Familiares dos reféns contaram sábado ao jornal Daily Star que os atacantes exigiram às vítimas que recitassem extractos do Corão, quem não o fizesse era morto ou torturado.
O ataque deixou vinte mortos “retalhados com armas afiadas”, segundo o porta-voz do Exército, Nayeem Chowdhury, entre os quais pelo menos nove italianos, sete japoneses e um norte-americano. Há relatos de que também há cidadãos do Bangladesh entre os mortos, ao contrário do que tinha sido inicialmente divulgado.
O Estado Islâmico reivindicou o ataque, através do site Amaq, que funciona como uma espécie de agência de notícias do grupo terrorista.
Nos últimos meses, acumularam-se as evidências de que um atentado deste género poderia acontecer no Bangladesh, o país de maioria muçulmana tem sido dominado por uma onda de violência sectária, mas este ataque marca algumas diferenças.
Até agora, os alvos eram direcionados e incluíam bloggers considerados ateus, professores, membros das minorias cristã e hindu e, mais recentemente, ativistas LGBT.
O Governo da primeira-ministra Sheikh Hasina, visto como secular, lançou uma vasta operação policial marcada por detenções arbitrárias e abusos das forças de segurança, entre 10 e 16 de Junho foram detidas pelo menos 11 mil pessoas, a esmagadora maioria sem qualquer ligação a organizações terroristas. “Depois de uma resposta lenta e complacente a estes ataques horrendos, as forças de segurança do Bangladesh estão novamente a cair nos velhos hábitos e a reunir os ‘suspeitos do costume’, em vez de fazerem o trabalho duro de levar a cabo investigações sérias”, acusava recentemente o director para a Ásia da Human Rights Watch, Brad Adams.
O grupo terrorista não conseguiu ainda estabelecer uma base de apoio estável no Bangladesh, semelhante à que dispõe na Líbia, por exemplo, mas é através de pequenas organizações agora enfraquecidas, como a Jamaat-ul-Mujahideen ou a Ansar al-Islam (com ligações à Al-Qaeda), que o Estado Islâmico tem levado a cabo as suas acções.

À medida que vai perdendo terreno na Síria e no Iraque, países onde fundou um “califado” no Verão de 2014 e que são o centro da sua acção global, o grupo tenta expandir o seu domínio. Calcula-se que é de países como as Filipinas, Malásia e Indonésia que perto de mil combatentes se tenham juntado às suas fileiras e há receios que entretanto tenham regressado.

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