Uma
quantidade significativa dos textos de conteúdo jornalístico,
publicados em páginas de Internet norte-americanas são elaborados
por programas de computador, revela Martin Ford, autor do
livro Robôs:
A Ameaça de um Futuro sem Emprego, "Trata-se
de software com
capacidade de produzir um conteúdo jornalístico. Isto já se
verifica em muitas empresas nos Estados Unidos. A maior parte das
histórias que se lêem na Internet são, na verdade, escritas por
máquinas", declarou Martin Ford, acrescentando que “notícias
desportivas ou de âmbito económico são também produzidas por
máquinas, ainda sem grande impacto”.
“Mas
a tecnologia vai ser aperfeiçoada e, qualquer dia, as máquinas
acabam por ganhar um Prémio Pulitzer de jornalismo”, ironizou o
autor, acrescentando que actualmente os jornais não mostram
preocupação em aprofundar os assuntos e procuram sempre a repetição
de matérias superficiais, como relatos de competições desportivas.
No
livro, que aborda a questão do desemprego provocado pela aplicação
cada vez mais rápida da tecnologia, o autor explica que o
programa informático StatsMonkey, criado por estudantes da Universidade Northwestern, nos EUA, foi concebido para automatizar relatos desportivos pela transformação de dados objectivos sobre um determinado jogo e que vai muito além da simples listagem de factos.
programa informático StatsMonkey, criado por estudantes da Universidade Northwestern, nos EUA, foi concebido para automatizar relatos desportivos pela transformação de dados objectivos sobre um determinado jogo e que vai muito além da simples listagem de factos.
"Em
vez disso, escreve uma história que incorpora os mesmos atributos
essenciais que um jornalista desportivo quereria incluir no seu
texto. Efectua uma análise estatística para discernir os factos
notáveis ocorridos no jogo e depois gera um texto em '‘linguagem
natural’' e que sumariza a dinâmica geral do jogo, ao mesmo tempo
que foca as jogadas mais importantes e os jogadores-chave que
contribuíram para a história", explicou Martin Ford. Mais
tarde, os estudantes aperfeiçoaram o programa de computador através
da empresa Narrative Science, Inc., que criou uma “máquina de
inteligência artificial muito mais poderosa e abrangente, a Quill”.
Segundo
o livro de Ford, a Narrative Science Inc. é usada por “meios
de comunicação destacados”,
incluindo a revista Forbes,
para produzir artigos automatizados, numa variedade de áreas,
incluindo desporto, negócios e política.
“O software da
empresa gera uma nova história aproximadamente a cada 30 segundos e
muitas delas são publicadas em páginas de Internet largamente
conhecidas, mas que preferem não reconhecer o uso desse serviço”,
denunciou Martin Ford.
A
escrita, “que afinal, tem,
no mínimo, tanto de arte como de ciência, poderia parecer uma das
mais improváveis tarefas a automatizar, mas já o foi e os
algoritmos estão a ser rapidamente aperfeiçoados”,
acrescentou Ford.
O
autor refere também que a escrita é uma área em que “há patrões
que se queixam constantemente” de que os licenciados universitários
não são eficientes e que um estudo indica que cerca de metade dos
universitários com três anos de curso recentemente contratados
pelos jornais apresentam aptidões muito pobres em escrita e, em
alguns casos, de leitura.
Desta
forma, se o software
inteligente começar a
rivalizar com os analistas humanos mais qualificados, o crescimento
futuro do emprego baseado no conhecimento está em causa para os
jornalistas e licenciados universitários, especialmente os menos
preparados, conclui.


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