O
complexo de barragens hidroeléctricas que foi proposto para o
coração da Amazónia vai provocar uma onda de desflorestação e
fazer com que áreas remotas daquela que é a maior floresta tropical
do mundo sejam ocupadas pela agricultura, diz um estudo de
investigadores brasileiros, publicado esta terça-feira.
Os
empresários locais contratados para ajudar na construção do
complexo proposto na região de Tapajós podem investir os seus
lucros na compra de terras para o cultivo de soja ou a criação de
gado, diz o estudo da Universidade Federal do Oeste do Pará, no
Brasil. Estas compras de terras vão aumentar a desflorestação,
permitindo que os empresários avancem pela selva e colocam em perigo
os direitos do povo indígena dos Munduruku que vive nesta região,
defende ainda o estudo.
Novos
cursos de água e infra-estruturas criadas após a construção das
barragens no rio Tapajós vão facilitar a conversão da floresta em
plantações, disse Philip Fearnside, professor no Instituto Nacional
de Pesquisas do Amazónia e um dos autores do estudo, “Há muita
terra na Amazónia que não tem um título legal”, disse o
investigador, acrescentado que isto teria um “tremendo impacto para
as pessoas que reivindicam aquelas terras”. Especuladores vão
provavelmente ocupar estas terras e proceder ao abate de árvores
para reclamar a sua posse, disse. “Os impactos sociais e ambientais
serão enormes.”
Os
apoiantes da construção do complexo de barragens defendem que a
subida do valor das terras vai aumentar a agricultura, criar empregos
e fazer disparar as exportações. Com o Brasil a enfrentar uma dura
recessão, estes apoiantes defendem que são necessários novos
investimentos para aumentar a produção de energia hidroeléctrica e
a agricultura.
As
centrais hidroeléctricas produzem cerca de 80% da energia no Brasil,
e os apoiantes da construção deste complexo acreditam que as novas
barragens vão ajudar a combater as alterações climáticas
produzindo energia renovável.
As
barragens vão inundar uma área que é mais ou menos do mesmo
tamanho de Nova Iorque (nos EUA), afectando a vida de grupos
indígenas e outras comunidades que dependem do rio Tapajós para
pescar, diz o estudo.
As
preocupações com os direitos destes povos indígenas sobre estas
terras já levou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) a suspender o licenciamento do
complexo de barragens em Abril.



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