“A Igreja deve pedir desculpas não só aos gays”

"Eu acho que a Igreja não deve apenas pedir desculpa a homossexuais que tenha ofendido, mas deve também pedir desculpa aos pobres, e às mulheres que foram exploradas, às crianças que tenham sido exploradas (sendo forçadas a) trabalhar. E deve pedir desculpas por ter abençoado tantas armas", disse o Papa Francisco, neste domingo, quando questionado por jornalistas se concordava com as afirmações de um cardeal alemão que defendeu esta semana que a Igreja deveria procurar o perdão dos gays.
O Papa falou durante quase uma hora com jornalistas que o acompanharam numa viagem à Arménia, quando questionado sobre o massacre de Orlando, nos EUA, que causou a morte a 49 pessoas numa discoteca LGBT, o Papa argumentou que a Igreja nem sempre fez o que podia: “A Igreja deve dizer que está arrependida por não se ter comportado como deveria muitas vezes, muitas vezes”.

Mas a mensagem não era apenas para dentro da Igreja, mas sim para toda a comunidade, “Quando eu digo a 'Igreja', eu quero dizer nós, cristãos, porque a igreja é santa; nós somos os pecadores”, acrescentou o Papa. “Nós, cristãos, devemos dizer que lamentamos.”
Mas mais do que isso, o chefe da Igreja Católica disse que os gay "não devem ser discriminados. Devem ser respeitados e pastoralmente acompanhados".

Não é a primeira vez que o Papa Francisco fala de um assunto sensível para a Igreja Católica, no sínodo sobre a família, em outubro de 2015, defendeu o acolhimento de gays, mas não o seu casamento. Sem nunca se referir concretamente às pessoas que vivem à margem das regras católicas, divorciados, homossexuais, pessoas que vivem em uniões de facto, Francisco lembrou que a Igreja que lidera “não aponta o dedo para julgar os outros” e tem o dever de misericórdia, porque “uma Igreja com as portas fechadas atraiçoa-se a si mesma e à sua missão e, em vez de ser ponte, torna-se uma barreira”.

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