Luis
Almagro, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos
(OEA), acusou o Presidente Nicolás Maduro de ser o culpado pela
crise humanitária que afecta a Venezuela, durante a sessão de
apresentação de um relatório sobre a situação no país, antes de
um voto crucial que poderá conduzir à suspensão de Caracas daquele
organismo multilateral, por violação da sua Carta Democrática.
O
líder uruguaio da OEA
argumentou que foi o Governo de Maduro a levar o país para a
“pobreza, corrupção e
violência”, apesar de a
Venezuela ser uma das nações com maiores reservas petrolíferas do
mundo, “Estes problemas não podem ser atribuídos a forças
externas. A situação na Venezuela hoje é um resultado directo das
acções dos que estão agora no poder”, reportou o Washington
Post, citando
Luis Almagro.
Falando
sobre a alegada alteração da ordem constitucional no país, Almagro
insistiu que o Governo de Maduro tem violado os princípios básicos
da democracia, e considerou justificada a suspensão da Venezuela da
OEA. Apesar da oposição do Governo de Caracas, e de aliados como a
Bolívia e o Equador, a maioria dos membros da organização aprovou
a apresentação do relatório sobre a Venezuela, na quinta-feira em
Washington.
O
representante dos EUA na OEA, Michael Fitzpatrick, declarou que “os
venezuelanos não aguentam atrasos nas soluções para os problemas
que enfrentam”, citou o Washington
Post.
No
entanto, é pouco provável que entre os 34 membros da OEA seja
possível encontrar uma maioria de votos para uma acção mais
“agressiva” contra a Venezuela, vários dos aliados de Maduro
reprovam a iniciativa do secretário-geral.
O
representante da Nicarágua, Denis Ronaldo Moncada Colindres, acusou
mesmo Almagro de organizar um “golpe contra a Venezuela”.
Delcy
Rodríguez, ministra dos Negócios Estrangeiros venezuelana, também
falou em tentativa de orquestrar um golpe e negou a existência de
uma crise humanitária no seu país, “Esta organização está a
ser usada para atacar a Venezuela”, considerou Rodriguez.
Apesar
do petróleo, a Venezuela vive a maior crise de toda a sua história,
para
além da instabilidade política, a crise económica deixou o país
com escassez de alimentos e bens de primeira necessidade, como
medicamentos, algo já denunciado por um relatório
do International Crisis Group (ICC) em 2015.
O
Governo de Maduro avançou com várias medidas drásticas para lidar
com a deterioração das condições económicas, o
aumento do preço da gasolina de 6.000% em 2015 foi uma delas, bem
como cortes na despesa pública.
Como
consequência da crise de abastecimento que se vive no país, vários
alimentos e outros produtos foram racionados, bem como a distribuição
de água e eletricidade.
As medidas governamentais têm levado milhares de pessoas à rua para
se manifestar, mas também para pilhar e roubar supermercados.



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