A
agência de notação financeira Moody’s baixou as perspectivas
sobre a dívida pública do Reino Unido, passando-as de estáveis
para negativas e avisou que a nota dada ao país poderá ser alterada
em breve, devido ao impacto do “Brexit” nos mercados e na
economia.
Depois
do referendo de quinta-feira, onde os britânicos decidiram por
maioria deixar a União Europeia (EU), a Moody’s baixou as
perspectivas da dívida por considerar que há o risco de o
crescimento da economia ser mais fraco do que o previsto e de uma
degradação das contas públicas do Reino Unido.
“Durante
os próximos anos, em que o Reino Unido terá de renegociar as suas
relações comerciais a EU, a Moody’s antecipa que a incerteza, a
diminuição da confiança e a redução das despesas e do
investimento resulte num crescimento mais fraco”, refere a agência
num comunicado divulgado na noite de sexta-feira.
Mas
os alertas quanto aos aos
impactos do “Brexit” não
ficam por aqui. “O Reino Unido tem um dos défices orçamentais
mais elevados, no conjunto das economias avançadas, e reduzir o
crescimento do PIB dificultará
a implementação do plano de consolidação orçamental previsto
pelo Governo [do primeiro-ministro demissionário David Cameron]”,
diz a Moody’s.
A
agência lembra ainda que a UE é o principal parceiro comercial do
Reino Unido, absorvendo 44% das suas exportações, e que 48% do
investimento directo estrangeiro no país tem origem em países
europeus.
“É
possível que o Reino Unido seja capaz de redireccionar o seu
comércio para outras regiões e assim compensar a redução das
trocas comerciais com a Europa”, antecipa, “mas isso levará
tempo”. A solução, sugere a Moody’s, passará por conseguir um
acordo com a EU que permita preservar uma grande parte das trocas
comerciais entre os dois blocos.
Actualmente,
o rating do
Reino Unido está classificado como AA+, a segunda nota mais elevada
atribuída pela Moody’s.
A
Moody’s foi a primeira agência a concretizar os seus receios por
causa da vitória do "Leave" (sair). A Standard &
Poor's avisou que a nota atribuída ao país (que agora é AAA, a
melhor atribuída por esta agência) poderia estar em risco, mas
optou por não propor ainda qualquer alteração. Já a Fitch
considera que os resultados do referendo terão um efeito
“moderadamente negativo”.


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