Uma
das discussões mais antigas desde que o Reino Unido associou-se à
Europa em 1973, através da Comunidade Econômica Europeia, hoje,
União Europeia, foi encerrada na manhã desta sexta-feria.
Após
41 anos do último referendo, em 75, a população votou
favoravelmente à saída do Reino Unido do bloco europeu, com 51,9%
dos votos.
Assim
como na esfera política, econômica e social, a decisão afetará
diretamente o futebol, de acordo com o jornal britânico The
Guardian, o Campeonato Inglês conta com 161 jogadores europeus, mas
menos de dois terços deles estariam regulamentos para permanecer na
Inglaterra. Isso porque com o 'Brexit', o país passará por uma
série de mudanças, inclusive, trabalhistas, como a exigência de
vistos de trabalho para europeus, da mesma forma como já são
exigidos para os sul-americanos.
Na
primeira divisão do Campeonato Inglês, todos os clubes seriam
afetados, o West Ham, por exemplo, perderia Dimiti Payet, um dos
destaques da seleção francesa nesta Eurocopa.
“Sair
da União Europeia trará consequências devastadoras. Perder o
acesso a talentos europeus piora os clubes britânicos e os coloca em
desvantagem”, defendeu Karren Brady, vice-presidente do West Ham,
em uma nota à Premier League, no início deste ano.
Newcastle
e Aston Villa, rebaixados para a Segunda Divisão, perderiam nove
jogadores cada. Já os remanescentes e endinheirados, Manchester
United e Chelsea, também sofreriam com baixas importantes, como
David de Gea, Martial e Schneiderlin, pela equipe red devil, e Zouma
e Azpilicueta, pelo lado londrino. No Manchester City, Mangala, Navas
e Nasri estariam de fora, enquanto Bellerin e Coquelin, seriam alguns
jogadores afetados pelo '‘novo’' visto de trabalho na equipe do
Arsenal.
O
especialista em gestão e marketing esportivo, Amir Somoggi, alerta
que, para os clubes ingleses, a saída do Reino Unido da União
Europeia trará consequências de curto e longo prazo, “Com essa
mudança, os europeus se tornam estrangeiros na Inglaterra. Não
poderão mais ter uma equipe inteira de jogadores espanhóis, belgas,
holandeses e alemães. Apesar de ser uma competição altamente
valorizada, isso tende a diminuir a qualidade da liga. No curto prazo
vai afetar a qualidade do produto”, disse, em entrevista ao LANCE!,
complementando, “No
longo prazo, pode ser que melhore o futebol inglês. Obrigaria os
clubes a investirem nas categorias de base. Faço uma comparação
com a Alemanha, que pensou claramente em como melhorar sua base. Isso
acabou impactando na melhora de qualidade da seleção alemã. Na
Inglaterra, é difícil pensar assim, porque o futebol inglês vive
de importar jogadores de alta classe para melhorar a qualidade do
produto, o futebol”.
Apesar
disso, Somoggi não descarta que a Inglaterra siga os passos da
Alemanha, “Se a Premier League se preocupar como se preocupou a
Alemanha, de construir um projeto para as categorias de base, pode
ser que isso seja uma saída. Lá na frente, com um bom projeto, pode
acontecer uma valorização, sim, mas no curto prazo vai
desvalorizar, não tenha dúvida”, concluiu.
O
processo para a oficialização da saída do Reino Unido da União
Europeia ainda levará dois anos, no entanto, os presidentes das
instituições da Europa pediram que o governo britânico torne
efetivo a decisão o mais rápido possível. Com isso, no futebol, a
imprensa e os clubes ingleses mantêm a hipótese de que o 'Brexit'
possa destruir o Campeonato Inglês.



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