A
corrida para substituir o primeiro-ministro britânico David Cameron
ganhou uma reviravolta nesta segunda-feira, com a desistência da
ministra da Energia, Andrea Leadsom.
Diante
disso, a ministra do Interior, Theresa May, se tornará a primeira
mulher a assumir o cargo em 25 anos, ou seja, desde o fim da era
Margaret Thatcher.
Segundo
anunciado por Cameron, May assumirá o posto na quarta à noite, o
premiê comunicou que renunciaria ao cargo logo após o resultado do
plebiscito que definiu a saída do Reino Unido da União Europeia.
May
havia sido uma das escolhidas na semana passada pelos parlamentares
do Partido Conservador para concorrer à votação que definiria o
novo líder da sigla e, consequentemente, primeiro-ministro.
Em
pronunciamento em frente ao Parlamento, ela disse estar “honrada”
com sua escolha para o posto, prometendo construir um país melhor e
fazer do Brexit um “sucesso”.
Assim
como Thatcher, Theresa May vem de uma família de classe média-baixa,
filha de um vigário, nasceu em Sussex (sul da Inglaterra) e foi
criada em Oxfordshire, no sudeste do país.
Após
frequentar escolas públicas, estudou Geografia na universidade, onde
conheceu seu marido Philip, com quem é casada até hoje.
Antes
de iniciar sua vida política, trabalhou no Banco da Inglaterra.
May
foi grande apoiadora de Cameron e há anos está na lista de
possíveis líderes dos Conservadores, eleita ao Parlamento pela
primeira vez em 1997, a futura premiê, foi a primeira mulher a
assumir a presidência do Partido Conservador, em 2002.
Prestes
a completar 60 anos, é uma das pessoas que permaneceu por mais tempo
à frente do Ministério do Interior, ocupava o posto desde 2010.
May
figura há anos na lista de possíveis líderes do partido, desde que
Cameron anunciou sua renúncia, ela manteve uma clara vantagem na
disputa pelo cargo, na primeira etapa da corrida, ganhou 165 votos,
mais do que todos os seus adversários juntos.
A
ministra é considerada uma das figuras mais fortes da política
britânica, durante 17 anos, foi uma das poucas mulheres nos altos
escalões dos Conservadores, e ficou conhecida por dizer algumas
duras verdades sobre seus colegas, “Você sabe do que as pessoas
nos chamam: 'o partido sórdido'”, afirmou a ativistas em 2002,
durante uma conferência de 2002.
May
tem sido elogiada por seu trabalho como ministra, sua força atingiu
novos patamares em 2013, quando conseguiu o que muitos outros antes
dela falharam ao tentar: deportar o clérigo radical Abu Qatada.
Apesar
disso, seu apelo com o grande público ainda não foi testado, e ela
também recebe críticas pelo fracasso do governo britânico ao não
cumprir a promessa de manter o número de imigrantes que entram no
país abaixo de 100 mil por ano.
A
ministra ainda foi criticada por propor que o Reino Unido deixe de
fazer parte da Convenção Europeia dos Direitos Humanos, no entanto,
disse que desistiria da ideia caso se tornasse primeira-ministra, sob
o argumento de que não há maioria parlamentar para aprovar a
medida.
Apesar
de ter apoiado a permanência do Reino Unido na União Europeia, May
disse que o resultado do plebiscito deve ser respeitado, "Brexit
significa Brexit. A campanha foi travada, a votação foi realizada,
a participação foi alta e o público deu o seu veredito. Não deve
haver tentativas para permanecer dentro da UE, nem tentativas de
reintegrá-la pela porta dos fundos ou um segundo plebiscito."
Embora
venha disparando falas contundentes sobre o tema nos dias atuais, a
ministra manteve um posicionamento discreto durante a campanha, o que
amplia sua capacidade de diálogo com os parlamentares pró-saída da
UE.
O
início do processo formal de retirada depende da ativação da
Cláusula 50 do Tratado de Lisboa, que desde 2009 funciona como uma
espécie de Constituição Europeia, uma vez que o dispositivo é
acionado, um país só pode voltar ao bloco com o aval unânime dos
outros membros.
O
processo, porém, não é automático, tem de ser negociado com os
integrantes, essa negociação tem prazo máximo de dois anos e o
Parlamento Europeu tem poder de veto sobre qualquer novo acordo
formalizando o relacionamento entre o Reino Unido e a União
Europeia.
Além
de ter maior margem de manobra para dialogar com parlamentares, May
disse que não ativaria o Artigo 50 antes do fim de 2016, dando tempo
para o Reino Unido concluir sua posição de negociação.
A
futura primeira-ministra também descartou uma eleição geral antes
de 2020 ou um orçamento de emergência para o Brexit.
Ao
falar de seus objetivos nas negociações para saída da UE, May
disse que “deve ser uma prioridade permitir que as empresas
britânicas façam comércio dentro de um mercado único de bens e
serviços, mas também recuperar um maior controle sobre o número de
pessoas que estão chegando aqui vindas da Europa.”
Segundo
a ministra, o status dos cidadãos europeus morando no Reino Unido
faria parte de futuras negociações, negando-se a garantir que eles
poderão ficar.
Apesar
da importância do Brexit em sua futura gestão, ela também prometeu
um programa radical de reforma social, a fim de promover mobilidade
social e dar mais oportunidades aos desfavorecidos.




Sem comentários:
Enviar um comentário