A
Organização das Nações Unidas denunciou esta quinta-feira o
“clima de impunidade generalizada” na Ucrânia, onde tanto as
autoridades nacionais como os rebeldes pró-russos são responsáveis
por ataques que podem ser considerados crimes de guerra.
Num
relatório de 50 páginas, divulgado esta quinta-feira, o Alto
Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos reportou
casos de ataques indiscriminados contra residentes, por parte do
Exército ucraniano e dos combatentes rebeldes apoiados pela Rússia,
durante o conflito que fez mais de 9500 vítimas entre Janeiro de
2014 e Maio deste ano.
“O
Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos
registou as execuções de membros de forças de combate e elementos
de grupos armados que se tinham rendido, principalmente em 2014 e
durante a primeira metade de 2015”, revelou o relatório. “Também
registou um considerável número de execuções sumárias e mortes
de civis que não faziam parte do conflito, maioritariamente em 2014
e no início de 2015”, acrescentou.
O
relatório indicou que cerca de duas mil vítimas eram civis, “A
maioria das vítimas civis, registadas nos territórios controlados
pelo Governo ucraniano e nos que são controlados por grupos rebeldes
armados, foram causadas por bombardeamentos indiscriminados em zonas
residenciais, violando o direito humanitário internacional quanto ao
princípio da distinção”, lê-se no relatório.
O
estudo aponta também o tratamento desumano tanto dos prisioneiros de
guerra como dos não-combatentes que foram capturados pelos dois
lados do conflito.
De
acordo com a BBC, também foi conduzida uma investigação sobre os
casos de desaparecimento e mortes de pelo menos 47 pessoas em áreas
sob controlo das forças separatistas pró-russas.
No
território dominado pelo Exército ucraniano, foram reportados 29
casos, o mais recente remonta a Dezembro do ano passado, quando
Volodimir Cherepnia desapareceu perto da cidade de Mariupol, o seu
corpo foi encontrado no mês seguinte num rio, sem que fossem
apuradas as responsabilidades pelo que lhe aconteceu.
O
relatório apontou como principais responsáveis destes crimes os
grupos de rebeldes das autoproclamadas repúblicas populares de
Luhansk e de Donetsk, na região separatista de Donbass, junto à
fronteira com a Rússia. Os rebeldes tomaram estas zonas depois
de a Rússia ter anexado a península da Crimeia, em
Março de 2014, após a destituição do Presidente ucraniano, Victor
Ianukovitch.
A
BBC destacou um caso em que a agência das Nações Unidas obteve
provas forenses que mostraram que uma criança de seis anos, a mãe e
a avó foram mortas a tiro na região de Luhansk. Foram alegadamente
raptadas pelos membros da milícia da autodenominada república
popular de Luhansk.
Entre
os crimes atribuídos às tropas ucranianas está o caso em que dois
homens, alegadamente combatentes rebeldes, foram mantidos num poço
seco e depois mortos por um “soldado alcoolizado” que atirou uma
granada para o seu interior.
As
relações da Rússia com o Ocidente têm
vindo a piorar, desde o
início do conflito na Ucrânia, o que complica a resolução de
problemas como a guerra na Síria. Moscovo negou repetidamente ter
dado qualquer apoio às forças separatistas pró-russas do Leste do
país.



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