França atacada no seu dia Nacional pelo menos 80 mortos

Um camião acelerou cerca das 22:30 (hora local), desta quinta-feira sobre uma multidão em Nice, sul de França, atropelando dezenas de pessoas.
O balanço da polícia, provisório, perto das 03:00 (hora local) contabiliza 80 mortos e 14 feridos em estado crítico, com o número de feridos total a ultrapassar a centena.
As autoridades estão a tratar o incidente como um atentado, até porque, segundo fonte policial ouvida pelo Le Figaro, foram encontradas várias armas e granadas no interior do camião.
As pessoas correm, é o pânico. Ele subiu a Promenade e avançou sobre toda a gente. Há pessoas ensanguentadas, sem dúvida feridas”, descreveu um jornalista do Nice Matin descrevendo o que aconteceu neste 14 julho durante as comemorações da Tomada da Bastilha, evento central da Revolução Francesa em 1789.

O pesado acelerou contra as pessoas que se encontravam na Promenade des Anglais, onde se tinham reunido para ver o fogo de artifício das comemorações do Dia da Bastilha, provocando o pânico imediato.

O ocupante, segundo o jornal Nice-Matin um natural de Nice de origem tunisina, acabou por ser morto pela polícia, que dispararam sobre o veículo depois de este se imobilizar, segundo testemunhos.
Testemunha entretanto ouvida pelos media franceses descrevem que o camião “escolheu o maior número de pessoas” para abalroar. “Seguia como uma viatura louca”, disse à BFMTV a testemunha que possui um estabelecimento comercial nas imediações da Promenade des Anglais.
Uma outra testemunha, que se encontrava num restaurante libanês na marginal de Nice também assistiu à fuga das pessoas. "Vimos o movimento da multidão. Gritavam "atentado! atentado!" e ouvíamos disparos. Escondemo-nos no restaurante", explicou à BFM-TV.
O ministério do interior francês entretanto criou uma linha de telefone dedicada a dar informações ao público e a pessoas próximas das vítimas, a polícia ainda fez buscas na cidade investigando a possibilidade de o atacante ter cúmplices, no entanto não houve registo de outras detenções. A investigação do caso está a cargo da Procuradoria Antiterrorista, que procura ainda potenciais ligações a grupos terroristas.
O ex-presidente da câmara desta região, Christian Estrosi, foi das primeiras autoridades a reagir ao incidente, escrevendo no Twitter que o camião “terá feito dezenas de mortos” e sugerindo às pessoas que não saiam de casa.
Também a polícia municipal pediu às pessoas que ficassem em suas casas.
François Hollande voltou a dirigir-se ao seu país na sequência de um ataque mortífero, na madrugada desta sexta-feira, após reunir com o gabinete de crise, em Paris, o Presidente francês sublinhou o “carácter terrorista” do atentado perpetrado em Nice, durante o fogo de artifício do Dia da Bastilha.
Não se pode negar o carácter terrorista deste ataque”, afirmou. Hollande carregou nas palavras e qualificou este acto como uma “monstruosidade”, uma “violência absoluta” cometida num dia simbólico para os franceses, o feriado nacional de 14 de Julho, “Dia da Liberdade”. Entre as vítimas mortais, encontram-se crianças, enfatizou o Presidente.
Com o autor do ataque, que conduziu um camião contra uma multidão na Passeio dos Ingleses, ainda por identificar, Hollande disse que “fica claro que devemos fazer tudo para lutar contra o terrorismo. Ainda não sabemos se há cúmplices”, acrescentou, mas, a imprensa francesa noticia que o autor, abatido no local, era um francês de origem tunisina.
A França está perturbada, mas é forte, e será ainda mais forte”, atestou Hollande, depois de informar que o estado de emergência, decretado após os atentados terroristas de Paris, em Novembro do ano passado, se prolongará por mais três meses, até Outubro. A França “vai recorrer a todos os meios” para travar novos ataques.

Hollande fez ainda saber que, tendo debatido o assunto com os ministros da Defesa e do Interior, reforçará o nível de protecção no país, tendo em vista o actual período estival. Para isso, apelou à mobilização da reserva operacional “para ajudar a policiar a França”.

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