Todos
os meses, quase meio milhão de pesquisas feitas no Google resultam
em conteúdos com ligações a material do autoproclamado Estado
Islâmico, a denúncia é feita por um grupo de investigadores que
sugere à empresa que detém o motor de busca que elimine o conteúdo
extremista, a fim de dificultar a sua propagação.
“Muitos
dos sites académicos islâmicos alojam material extremista,
incluindo material jihadista, muitas vezes sem avisos ou restrições”,
alerta o estudo Uma
guerra de palavras-chave,
citado pelo The Guardian.
É
o caso de sites “que
oferecem conteúdo tradicional islâmico, bem como material
extremista”, denuncia o estudo, sendo
fácil, por isso, encontrar,
mesmo que involuntariamente, conteúdo
extremista enquanto se lê literatura islâmica, aponta o documento.
Bastam
algumas palavras-chave específicas e os resultados devolvidos
mostram em 44% dos casos violência explícita relacionada com o
Estado Islâmico, apenas dois em cada dez casos apresentam apenas
conteúdo político e 36% devolvem resultados não-violentos.
Os
autores do estudo afirmam que o algoritmo do Google falha a sua
missão de controlar e combater a partilha de mensagens extremistas
na Internet, acrescentando ainda que o esforço dos governos e de
alguns grupos cívicos em construir uma contra narrativa para
combater estas pesquisas são “insuficientes” e não estão a
conseguir resultados.
Para
efeitos de análise dos resultados de pesquisa efectuados, foram
analisadas 287 palavras-chave pesquisadas no Google, das quais 143 em
inglês e 144 em árabe.
Numa
segunda fase, os investigadores concentraram-se na análise de 47
palavras-chave utilizadas mais frequentemente e num grupo de
expressões que remetem para resultados mais extremistas. O grupo
focou-se então nos resultados apresentados nas duas primeiras
páginas de pesquisa.
Algumas
das palavras mais pesquisadas são crusader (cruzador),
mártir, kafir (não-crente)
e khilafah. A
exemplo, na pesquisa do termo khilafah, que
conta uma média de dez mil pesquisas mensais, os resultados
extremistas são de nove para um resultado de conteúdo de contra
narrativa.
A
culpa, afirma o estudo, é do desenho do algoritmo do motor de busca,
que não permite aos sites de contra narrativa optimizarem a sua
presença nos resultados de pesquisa.
O
relatório, conduzido pela empresa Digitalis
e pelo Centro
de Religião e Geopolítica (uma
organização fundada pelo antigo primeiro-ministro britânico Tony
Blair), chega poucos dias depois dos ataques em Nice e na Alemanha,
alguns deles protagonizados por jovens radicalizados através da
Internet ou que usavam as redes sociais para fazer publicações que
incitavam a violência.
Também
na Síria são muitos os
grupos de radicais islâmicos, os chamados “combatentes
estrangeiros”, recrutados através da Internet, que
abandonaram as suas famílias e países para lutar nas fileiras deste
grupo terrorista.
Os
autores do estudo reconhecem as dificuldades em monitorizar as cerca
de 40 mil pesquisas por segundo, num total de 2500 milhões por dia
em todo o mundo, mas apelam à colaboração entre os governos, as
Nações Unidas, empresas de tecnologia, grupos da sociedade civil e
organizações religiosas que “tornem a Internet um lugar mais
seguro”.
Como
solução propõem a adaptação dos algoritmos de pesquisa que
funcionem como filtros e o recurso a restrições, bloqueios e avisos
de conteúdo violento nos sites.
Um
porta-voz da Google citado pelo jornal britânico garante que a
empresa está a estudar formas de “remover conteúdo ilegal de
todas as plataformas, incluindo da pesquisa” e tem trabalhado com
organizações mundiais para promover o trabalho de narrativas de
combate ao discurso extremista.




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