O
banco italiano Monte dei Paschi registou o pior resultado entre as 51
instituições financeiras analisadas nos testes de stress conduzidos
pela Autoridade Bancária Europeia (EBA, na sigla em inglês). Dois
bancos irlandeses, um suíço e o espanhol Banco Popular seguem-se na
lista das entidades em que mais fragilidades foram detectadas.
Na
análise, as contas dos bancos são sujeitas a cenários económicos
bastante negativos, para que seja testada a sua capacidade de
resistência, medindo-se qual o rácio de capital com que cada
entidade ficaria ao fim de um, dois e três anos.
De
acordo com os resultados publicados nesta sexta-feira pela EBA, o
rácio de capital Tier 1 do Monte dei Paschi após ser sujeito a um
cenário de stress durante três anos foi de -2,44%, o pior de todos
os 51 bancos cujos resultados foram publicados em conjunto pela EBA.
A
seguir, a uma distância ainda considerável, surge o banco irlandês
Aliied Irish, com um rácio de 4,31%. O Monte dei Paschi e o Allied
Irish foram os únicos cujos rácios ficaram abaixo do limite de 5,5%
que foi estabelecido em 2014 e que, apesar de este ano a EBA ter
optado por não impor qualquer limite mínimo, serve de referência
nos mercados para identificar necessidades urgentes de
recapitalização.
Na
lista, surge a seguir o suíço Reiffeisen com 6,12%, o Bank of
Ireland com 6,15% e o Banco Popular com 6,62%. Já acima dos 7% está
o italiano Unicredit. O Deutsche Bank, que recentemente mostrou
fragilidades nas suas actividades nos Estados Unidos, registou um
rácio de 7,81%, o décimo pior resultado da lista.
Na
análise aos resultados globais do teste, a presidente da EBA disse
que “embora reconhecendo os
aumentos de capitais extensos realizados até agora, esta não é uma
folha totalmente saudável”.
“Ainda há trabalho por
fazer”, disse. Já Danièle
Nouy, presidente do Conselho de Supervisão do BCE, que também
participou nos testes, disse que os resultados mostram que “o
sector bancário apresenta-se hoje mais resiliente e com maior
capacidade para absorver choques económicos do que há dois anos”.
À
partida para o teste, antes de sujeitar as contas dos bancos a
cenários extremos, o rácio médio dos 51 bancos analisados era de
12,6%, os cálculos da EBA estimam que, ao fim de três anos de crise
económica, o rácio cairia para 9,2%, uma queda equivalente a 226
mil milhões de euros de capital.
Estes
testes de stress eram esperados com muita expectativa pelos mercados,
que nos últimos meses têm mostrado um elevado nível de pessimismo
em relação à saúde do sector bancário europeu.
Em
particular, existia alguma ansiedade em relação às insuficiências
de capital que poderiam ser detectadas na banca italiana, uma vez que
o Governo liderado por Matteo Renzi tem vindo a sentir dificuldades
em pôr em prática um modelo de capitalização dos bancos que
cumpra as novas regras europeias estabelecida para o sector, que
forçam a imposição de perdas aos accionistas e credores.
Precisamente
para sossegar os mercados e evitar sustos entre os clientes, foi
anunciado em Itália, poucos minutos antes da divulgação dos
resultados do teste, que tinha sido aprovado pelo BCE um plano
de recapitalização no montante de 5000 milhões de euros para
o Monte dei Paschi.
O
plano, delineado pelo banco norte-americano JP Morgan e o italiano
Mediobanca, depende da captação no mercado de capitais provenientes
de investidores privados, contando neste momento com o compromisso de
participação de seis outros bancos internacionais. Ainda assim,
subsistem dúvidas quanto à capacidade de atrair investidores para o
fragilizado Monte dei Paschi, o mais antigo banco em actividade no
mundo.



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