O
Papa emérito Bento XVI reafirma no seu último livro de memórias
que ninguém o pressionou a deixar a chefia da Igreja Católica, mas
admite que não teve em muitos momentos a determinação necessária
para resolver os problemas do Vaticano.
Bento
XVI, refere-se também, pela
primeira vez, ao grupo a que a imprensa italiana apelidou de “lobby
gay”, alguns
responsáveis da Igreja que
tinham como principal objectivo proteger as suas carreiras, diz.
O
livro “Últimas Conversas”, o resultado de longas horas de
entrevista com o jornalista alemão Peter Seewald, só será
publicado no início de Setembro, mas o jornal Corriere
della Sera, que
comprou os direitos de publicação, antecipou já algumas das
principais revelações feitas por Bento XVI, que vive desde 2013 num
convento nos jardins do Vaticano.
Mas, nenhuma é tão mediática como a confirmação de que havia na cúpula do Vaticano “quatro ou cinco” homossexuais que estavam organizados para tentar influenciar decisões da Cúria.
Mas, nenhuma é tão mediática como a confirmação de que havia na cúpula do Vaticano “quatro ou cinco” homossexuais que estavam organizados para tentar influenciar decisões da Cúria.
A
existência deste suposto lobby foi
noticiada pela primeira vez em 2012, depois de um mordomo de Bento
XVI ter passado a um jornalista
italianos, documentos secretos, que
exponham esquemas de corrupção e as lutas de poder no interior do
Vaticano, perante um Papa fragilizado e isolado.
O
escândalo, conhecido como “Vatileaks”, é visto por muitos
observadores como uma das principais razões que levaram Bento XVI a
renunciar, o que nenhum outro Papa fizera em mais de 600 anos.
Mas
na versão que Bento XVI contou a Seewald este grupo não seria tão
vasto como foi sugerido e teria como única missão proteger as
carreiras dos seus membros dentro da hierarquia do Vaticano. O Papa
emérito assegura ainda que, ao contrário do que foi sugerido, ele
“desmantelou este grupo de pressão” mal tomou conhecimento da
sua existência.
Estes
e outros “pecados” da Cúria romana foram alvo de um inquérito
encomendado por Bento XVI, que ainda hoje permanece secreto.
O
Papa Francisco, que teve
acesso ao documento após ter sido eleito, em Março de 2013,
garantiu que, apesar de “tanto se ter escrito sobre o lobby
gay” ainda não
tinha “encontrado ninguém no Vaticano com um documento a dizer
‘gay”, “Dizem que há lá [no Vaticano] alguns, mas eu acredito
que quando falamos com uma
pessoa que o seja devemos
distinguir entre o facto de essa pessoa ser gay e
o facto de alguém estar a formar um lobby,
porque nem todos os lobbies são bons”, afirmou o novo Papa, antes
de acrescentar a já célebre frase, “Se alguém é homossexual,
procura Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-lo?”.
No
livro de memórias, Bento XVI diz que tal como ficou “incrédulo”
quando o Conclave o elegeu, em 2005, para suceder a João Paulo II,
também ficou “surpreendido” com a escolha de Francisco, de quem
não sendo teologicamente muito distante é, em temperamento e
atitude pastoral, muito diferente. Tinha alguns nomes em mente, mas
“não o dele”, afirma, descrevendo a “alegria” que
sente ao ver como o sucessor comunica com os fiéis e
lidera a Igreja.
Sobre
o seu próprio pontificado, Bento XVI não admite que tenha sido um
Papa demasiado “académico”, mas parece confirmar a ideia de que
o temperamento reservado não o talhava para a tarefa de liderar
uma Igreja que reivindica mais de 1200 milhões de fiéis.
Sobre
a corrupção no banco do Vaticano ou os escândalos de pedofilia, o
anterior Papa admite que “não foi suficientemente determinado”
na forma como tentou renovar a Igreja, uma preocupação que se
tornou central no Conclave que elegeu Francisco.
Revela
ainda que quando tomou a decisão de renunciar ao cargo, por sentir
que não tinha já a força e a saúde necessárias, informou apenas
as pessoas que lhe eram mais próximas, temendo uma nova fuga de
informação. Conta também que durante os oito anos de papado
escreveu um diário, mas promete destruí-lo antes de morrer, mesmo
sabendo que a informação nele contida seria uma prenda para os
historiadores.




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