O
endividamento das famílias europeias e as comissões bancárias que
têm de pagar constituem a maior preocupação dos supervisores
bancários europeus, onde também têm lugar destacado a prática de
vendas de produtos associados à concessão de crédito e os
incentivos dados aos funcionários das instituições financeiras
para venderem determinadas soluções financeiras.
A
hierarquização das preocupações é feita num relatório recente
da Autoridade Bancária Europeia (EBA, em inglês), disponibilizado
esta quinta-feira pelo Banco de Portugal (BdP), onde são
identificados e analisados os oito temas que mais preocupam as
autoridades de supervisão de cada país da União Europeia.
As
conclusões do relatório no que respeita à protecção dos
consumidores de produtos e serviços financeiros poderão merecer uma
intervenção da EBA em 2017, sendo que algumas fragilidades
detectadas já constam da legislação nacional ou comunitária já
em aplicação ou em fase de transposição.
No
top dos problemas está o endividamento das famílias, que depois de
uma travagem depois da crise financeira, especialmente em 2009 e
2010, voltou a aumentar, especialmente nos últimos dois anos e com
destaque para o crédito ao consumo. Este aumento deverá ser
acompanhado de forma atenta pela EBA e pelos supervisores nacionais,
recomenda o Consumer
Trends Report.
Neste
domínio foram destacadas preocupações quanto à concessão de
crédito potencialmente prejudicial para os interesses dos clientes,
como a introdução, em alguns países, de limites à variação da
taxa Euribor, que impedem o benefício integral do actual valor
negativo da taxa. É ainda destacada a falta de cooperação das
instituições na renegociação do crédito de clientes com
dificuldades financeiras e deficiências na avaliação de
solvabilidade (capacidade de pagamento) dos clientes bancários.
No
âmbito de uma directiva comunitária em transposição para o
direito português e em fase de regulamentação, os bancos vão ter
regras mais apertadas na comercialização de produtos e serviços
bancários, entre as quais está a obrigação de avaliação da
solvabilidade dos clientes.
A
segunda maior preocupação é o comissionamento de produtos e
serviços bancários, transversal a toda a banca europeia,
nomeadamente os custos associados às contas de pagamento e a
respectiva comparabilidade, bem como os custos dos empréstimos. Esta
matéria tem sido muito discutida em Portugal e há projectos de lei
em discussão, apresentados pelos partidos de esquerda, que pretendem
limitar vários encargos, com destaque para as contas de depósito à
ordem.
Neste
domínio, em Portugal já foram criadas regras que tornaram
obrigatória a divulgação de preçários e de taxas de juro
praticadas.
Ainda
neste domínio, o último Relatório de Supervisão Comportamental,
do BdP, deixa a promessa de melhorias na comparabilidade das
comissões bancárias relativas às contas de pagamento, para isso
será criado “um site na Internet onde os clientes bancários podem
comparar as comissões cobradas pelas diferentes instituições”.
O
relatório da EBA considera lesivas do interesse dos consumidores a
comercialização de produtos e serviços bancários, com destaque
para a venda de produtos financeiros (cross-selling,
em inglês) associadas à concessão de crédito. Sobre esta matéria
já foi produzida legislação comunitária e nacional, que proíbe
que a concessão de crédito dependa da compra desses serviços, mas
a banca continua a praticá-la.
Os
empréstimos em moeda estrangeira, a inovação nos pagamentos, os
prestadores alternativos de serviços financeiros, as moedas virtuais
e a utilização de dados bancários dos consumidores, completam a
lista das oito maiores preocupações.
Para
além dos supervisores, o relatório conta com colaborações de
representantes de instituições financeiras e de associações de
defesa dos consumidores e utilizadores de serviços financeiros.



Sem comentários:
Enviar um comentário