Para
muitos europeus, a entrada de refugiados nos seus países está
directamente relacionada com o aumento do terrorismo e também com a
falta de empregos, cortes nos benefícios sociais e outros efeitos
negativos na economia.
Essa
é a principal conclusão de um estudo de opinião conduzido
pelo think-tank norte-americano
Pew Research Center, que auscultou mais de 11 mil pessoas em dez
países da União Europeia, que juntos representam 80% da população
do bloco.
Segundo
os dados do Pew Research Center, divulgados esta terça-feira, mais
de metade das pessoas em oito dos dez países em que o
inquérito foi realizado, Hungria, Itália, Polónia, Grécia,
Holanda, Suécia, Espanha, Alemanha, França e Reino Unido, acredita
que a chegada de refugiados ao território europeu faz crescer o
risco de segurança e torna mais prováveis actos de terrorismo no
seu país.
A
Hungria e a Polónia são os dois Estados onde os receios com a
presença de refugiados são mais elevados, com respectivamente 76% e
71% dos inquiridos a fazer essa associação entre as populações em
fuga e a ameaça terrorista. No outro lado, França e Espanha são os
países onde menos se detecta.
Outra
preocupação dos europeus está relacionada com questões
económicas, mais de metade das pessoas a viver em cinco dos países
incluídos no inquérito acredita que o acolhimento de refugiados
pode ameaçar os seus empregos e benefícios sociais: para húngaros,
polacos, gregos, italianos e franceses esse é o principal problema.
A
Suécia e a Alemanha, que em 2015 receberam o maior número de
pedidos de asilo na Europa, são os únicos países deste relatório
em que, pelo menos, metade dos inquiridos encara a integração de
refugiados como positiva e considera que a sua nação sai
beneficiada com o trabalho dos imigrantes.
A
associação entre a chegada de refugiados e o aumento da
criminalidade não é tão comum, excepto em Itália, onde 47% dos
inquiridos culpam os refugiados mais do que qualquer outro grupo pela
incidência do crime, segue-se a Suécia com 46%.
“Entre
os europeus, as percepções dos refugiados são influenciadas em
parte pelas atitudes negativas direccionadas a muçulmanos que já
vivem na Europa”, refere o relatório, mas há partidos políticos
espalhados pela Europa a aumentar a sua popularidade recorrendo a uma
retórica anti-imigração e, em alguns casos, contra muçulmanos, os
partidos nacionalistas Frente Nacional em França, UKIP no Reino
Unido, Alternativa para a Alemanha (AfD) e o Partido da Liberdade
(FPÖ) da Áustria, país que não está incluído no inquérito do
Pew Research Center.
É
na Hungria, Itália, Polónia e Grécia que se registam as opiniões
mais negativas relativamente à comunidade muçulmana, “Para alguns
europeus, as atitudes negativas direccionadas a muçulmanos estão
relacionadas com a crença de que os muçulmanos não querem
participar na sociedade”, ou seja, acreditam que os muçulmanos não
querem adoptar os costumes culturais do país onde vivem. No entanto,
esta visão tem vindo a alterar-se e a percentagem de indivíduos que
disseram que os muçulmanos a viver no seu país podiam apoiar grupos
terroristas foi menos de 50% em todos os dez países.
A
ideologia política, o nível de educação e a idade das pessoas que
responderam a este inquérito do Pew Research Center parece ter
influência no resultado, os apoiantes de partidos mais à direita
são mais cépticos em relação aos refugiados. Também os mais
velhos e com um nível de educação menor revelaram opiniões mais
negativas.
O
inquérito do Pew Research Center foi realizado em dez países
europeus e também nos EUA, para comparação de dados, teve 11,494
participantes que responderam de 4 de Abril a 12 de Maio deste ano. O
inquérito foi realizado antes do referendo à permanência ou saída
do Reino Unido da União Europeia e dos ataques terroristas no
aeroporto de Atatürk em Istambul, na Turquia, e, a margem de erro é
de 3,1% a 4,6%.




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