A
explosão de um carro armadilhado no bairro de Al-Karrada, no centro
de Bagdade, no Iraque, sábado, foi o ataque mais mortífero desde a
invasão em 2003, e nesta terça-feira, perante o crescimento do
número de vítimas, 250 mortos, Mohammed Ghabban, ministro do
Interior, apresentou a demissão ao primeiro-ministro xiita Haider
al-Abadi.
Treze
anos depois de os Estados Unidos e o Reino Unido terem invadido o
Iraque para deporem o então líder Saddam Hussein e estabelecerem um
regime democrático, o país continua envolvido pelo caos e pela
guerra.
A
situação piorou ainda mais nos últimos dois anos, desde que o
Estado Islâmico (EI), que reclamou o atentado do último fim de
semana, lançou a ofensiva destinada a garantir o controlo do país.
Desde
então, o exército regular iraquiano, com a ajuda dos EUA e várias
milícias xiitas, tem tentado combater os rebeldes sunitas do EI. Nos
últimos meses, o grupo terrorista tem vindo a perder terreno e a
cidade de Fallujah, que controlava desde 2014, foi recentemente
reconquistada pelas forças governamentais, ainda assim os confrontos
étnicos prometem continuar e a paz na sociedade iraquiana permanece
uma miragem distante.
A
13 de dezembro de 2003 Saddam Hussein foi capturado pelas forças
norte-americanas, viria a ser enforcado três anos mais tarde, no
final de 2006.
Chegava
ao fim o reinado e a fuga do ditador sunita que subira ao poder em
1979, o
problema foi, que
poucos planos existiam, tal
como o Relatório Chilcot vem confirmar, para o que viria a seguir,
“Tal como não havia um
entendimento de que a maioria xiita, suportada pelo Irão, que tinha
sido atacada por Saddam, rapidamente aproveitaria o vácuo político
criado pela partida do ditador”,
escrevia esta semana no The
Guardian, desde
Bagdade,
o repórter Martin Chulov, correspondente para o Médio Oriente do
diário britânico.
Os
últimos 13 anos têm sido marcados por constantes confrontos entre
fações distintas, com
o poder agora nas mãos dos xiitas, foi crescendo o ressentimento
entre a minoria sunita da população, aproveitado pelos combatentes
radicais do Estado Islâmico, "Agora cada etnia vê-se a si
própria como uma nação. Eles [EUA e Reino Unido] plantaram uma
bomba atómica no interior do estado chamada sectarismo. Somos uma
nação de pedintes, mas só aqueles que têm feridas sentem a dor",
resume Abu Ahmed Shimili, um coronel já retirado do exército,
citado pelo The
Guardian.
Um
dos principais cancros atuais do país é a corrupção, na última
década o Iraque tem figurado consistentemente entre as nações mais
corruptas do mundo.
O
atual primeiro-ministro, Haider al-Abadi, foi eleito há dois anos
com a promessa de combater o Estado Islâmico, a corrupção e de
estabelecer pontes com a minoria sunita do país, mas desde então a
sua popularidade tem vindo a cair. A reconquista de Fallujah, já
conseguida, e a eventual captura de Mossul, ainda nas mãos do EI
poderão funcionar como uma garrafa de oxigénio político.



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