O
Papa encerrou as Jornadas Mundiais da Juventude, em Cracóvia, na
Polónia, desafiando os
participantes a olharem para lá da gratificação imediata que lhes
oferecem as novas tecnologia e a usarem a sua energia para
construir “uma nova humanidade, sem ódios nem fronteiras”. Numa
homilia recheada de referências informáticas, Francisco pediu aos
mais novos que façam das orações o “chat”
mais usado e do Evangelho o “navegador” das suas vidas.
Foi
um autêntico mar de gente, colorido e festivo, o que se juntou em
Brzegi, a poucos quilómetros da histórica cidade polaca, para ouvir
uma última vez o Papa, depois de uma noite de vigília. A polícia
não adiantou números, mas a segurança do evento apontou para 1,5
milhão de pessoas e alguns relatos davam mesmo conta de três
milhões.
Perante
tão vasto auditório, Francisco adoptou um tom coloquial e recorreu
a metáforas bem mais próximas da realidade dos jovens que tinha
pela frente, mesmo confessando ser “um desastre” no que diz
respeito às novas tecnologias. Pediu-lhes que rejeitem “a
tristeza” – esse “vírus que infecta e bloqueia tudo, que fecha
todas as portas, que os impede de relançar a vida, de recomeçar”,
e que “façam download do
melhor link de todos, aquele de um coração que vê e transmite
bondade”.
Sublinhando
que os desafios que têm pela frente “não pode ser escrito nas
poucas palavras” de um SMS, o Papa pediu aos mais novos que confiem
na “bondade da memória de Deus”. “Ela não é como um disco
duro que guarda e arquiva todos os nossos dados, mas um coração
cheio de compaixão que se alegra ao apagar definitivamente todos os
nossos traços de maldade”. Sempre no mesmo estilo, o Papa
Francisco disse ainda que Deus espera que “entre os contactos
e chats de
todos os dias esteja em primeiro lugar o fio de ouro da oração” e
desejou que “o Evangelho se torne o ‘navegador’ para as
estradas da vida”.
As
Jornadas, grande festival iniciado por João Paulo II para combater o
distanciamento das gerações mais novas à Igreja, arrancaram
ensombradas por ataques de extremistas islâmicos na Europa,
incluindo o sequestro numa igreja francesa durante o qual foi morto o
padre Jacques Hamel, de 86
anos.
Mas,
tal como tinha já feito no avião que o levou à Polónia, Francisco
rejeita o discurso da “guerra
de religiões” ou de quem
usa os ataques para defender o reforço das fronteiras europeias.
Nestes tempos de violência, afirmou, cabe aos jovens “serem os
sonhadores, aqueles que acreditam numa nova humanidade, que rejeitam
o ódio entre os povos, que recusam ver as fronteiras como barreiras
e que cuidam das suas próprias tradições sem egoísmos nem
ressentimentos”.
A
terminar, Francisco anunciou que as próximas Jornadas vão regressar
à América Latina, realizando-se em 2019, no Panamá. Presente em
Brzegi, o Presidente panamiano, Juan Carlos Varela, assegurou que o
país receberá tem “as portas abertas” para os milhares de
jovens que ali deverão acorrer.



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